Um falso padre, que agiu em Salvador em 2003, voltou a aparecer na cidade, na sexta-feira de manhã, desta vez apresentando-se como arcebispo polonês, no Colégio Sacramentinas, no bairro do Garcia, onde tomou café com as freiras.

Seu nome é Wolfgang Schuler. De nacionalidade alemã, aparenta entre 55 e 60 anos. Carrega objetos religiosos, como a Bíblia. Fala, além de alemão e português, francês, e escreve em latim.

Ainda não foi aberto inquérito sobre a nova fraude de Schuler. Mas a Arquidiocese de Salvador já avisou e distribuiu fotos do falsário a todas as casas religiosas e paróquias. Ele foi reconhecido pelo padre Manoel Filho no colégio das irmãs. Não se sabe como o estrangeiro, deportado em 2004, conseguiu voltar ao País, uma vez que o prazo para isso é de cinco anos.

Quando esteve em Salvador pela primeira vez, conseguiu a proeza de rezar missa em duas igrejas. Ao contrário de outros estelionatários, que tentam tirar vantagem econômica de seu status, esse parece apenas ter fixação em ser sacerdote.

Ele já se fez passar por vários personagens da Igreja. Segundo Monsenhor Ademar Dantas, pároco da Catedral Basílica de Salvador e responsável pela administração financeira da arquidiocese, Schuler entrava na internet e copiava perfis de religiosos, como o de presidente da Conferência Episcopal Francesa, o de um bispo australiano e o de um enviado do papa para vistoriar a Igreja na Bahia. Com essa referência, alegou ter a incumbência de sanar os males da instituição. Mas não soube enumerá-los, levantando desconfiança. O papa não envia pessoas sem o conhecimento das autoridades locais.

Por conta disso, a Polícia Federal (PF) foi chamada. Páginas impressas com nomes dos religiosos por quem se fez passar foram encontradas com Schuler. Ele chegou a ficar 15 dias detido na Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur) e, mais tarde, três meses na PF. No início de 2004, foi deportado para a Alemanha.

“Ele não parece ser uma pessoa agressiva, mas o que está fazendo é falsidade ideológica. Provavelmente sofre de alguma psicopatia. Deveria voltar ao seu país e fazer tratamento”, afirma Monsenhor Ademar. As missas rezadas pelo estelionatário não têm valor. Ele engana principalmente por causa do seu nível cultural, que impressiona os incautos.

Fonte: Estadão