O Rio de Janeiro vive a maior crise da paróquia por falta de padres. Em várias igrejas faltam sacerdotes para atender fiéis. Na igreja de São Jorge, em Santa Cruz, por exemplo, não há padres há pelo menos sete meses.

O problema é admitido pelo padre Alexandre José de Albuquerque, presidente do Regional Leste I da Comissão Nacional dos Presbíteros, órgão ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo ele, hoje há 600 religiosos na capital, quando seria necessário, no mínimo, o dobro.

“Já ajudaria a amenizar a situação”, afirmou Albuquerque. Na Igreja de São Jorge, fiéis estão inconformados com o que chamam de “descaso” pela falta de sacerdote. Ontem, por exemplo, Daniele dos Santos, 28 anos, funcionária da secretaria, pendurou o aviso que vem se tornando rotineiro na porta do templo: “Comunicamos, com muito pesar, que neste domingo não haverá missa por falta de padre”. “Infelizmente, só pode ser descaso. Nossa igreja é pequena, mas todo ano, no dia 23 de abril, 50 mil católicos saem daqui para uma das maiores procissões em louvor a São Jorge do País”, lamenta o chefe de almoxarifado, Aloízio Augusto, 53 anos, devoto do santo.

Sacrifício para celebrar as missas

No mesmo bairro, o padre José Carlos da Silva, 55 anos, se sacrifica para levar a palavra de Deus na Igreja de N. Sra. do Perpétuo Socorro. Vítima de diabetes, José Carlos celebra a missa em cadeira de rodas e depende dos fiéis para ir ao altar. Não raro, cancela a cerimônia, como a de ontem, por se sentir mal.

“Dom Eusébio (Scheid, cardeal-arcebispo do Rio) soube que eu precisava de ajuda, mas fazer o quê? A escassez é realidade”, conforma-se. Na Paróquia de São Benedito, também em Santa Cruz, um religioso tem que se desdobrar para atender nove capelas.

O pároco Jorge Pereira Bispo, da Paróquia N. Sra. da Conceição, que tem a Igreja de São Jorge como uma de suas 16 filiais, admite: “Não temos como pôr um padre em cada igreja. Só temos três sacerdotes”. A Arquidiocese não comentou o caso.

Desequilíbrio

O padre Alexandre José de Albuquerque afirma que uma redistribuição amenizaria a escassez. “Isso beneficiaria áreas carentes”, comentou. Enquanto a Igreja de São Jorge não tem padre, a N. Sra. da Paz, em Ipanema, e a N. Sra. de Copacabana têm cinco e sete.

Padre Alexandre diz que o número de jovens com vocação não caiu, mas muitos não querem pregar em regiões carentes. Enquanto isso, o avanço de outras religiões preocupa. “Hoje há no Brasil 70 pastores para cada padre”, frisou.

Segundo a CNBB, a relação de párocos por habitante no Brasil é a mais baixa entre países majoritariamente católicos: um para mais de 10 mil. Na Itália, há um para mil.

Fonte: O Dia