Uma família de Itupeva trava há muito tempo uma batalha para tentar tirar a filha Taís, de 24 anos, da comunidade católica Opus Dei, em Santana do Parnaíba.

A jovem foi levada pela mãe Josefa, aos 17 anos, para trabalhar como empregada doméstica naquela cidade. Dois anos depois, a moça se tornou integrante do grupo e a família não aceita a decisão, alegando que se trata de ‘uma seita onde as pessoas sofrem lavagem cerebral’. Josefa fez até um site na Internet, no Orkut, denunciando a retirada da filha de seus braços.

A mãe também editou um livro sobre a Opus Dei, tomando como base o filme “O Código da Vinci”, que serviu para mostrar ao mundo o que era mantido em segredo. “Lá, eles obrigam você a participar do auto-flagelo, alegando que a dor aproxima todo mundo de Deus, o que é mentira”.

Sobre o filme, ela admite que existe um certo exagero, mas que a filha entrou na Opus com 45 quilos e hoje está muito magra, “porque vem sofrendo”, abatida pela carga horária e exaustão pelo auto-flagelo.

Segundo Josefa, ela levou a filha para a instituição ligada à Igreja Católica porque tinha a visão de que tudo era certinho, porque falaram que o “Papa aprovava tudo o que acontecia lá”. Porém, posteriormente percebeu que a filha sofria uma manipulação. “Fiquei feliz no começo e falava que ela ia crescer na fé. Depois, junto com o meu marido (Francisco Araújo), percebemos que estávamos errados”.

Filha é explorada

Em entrevista ao repórter Alex Mendes, da TV Tem, Josefa chegou a afirmar que a filha era explorada pela seita; virou uma “escrava” e, foi informada de que se ela não continuasse com eles, “Deus mandaria a família para o Inferno”.

Na mesma reportagem, levada ontem ao ar, Taís disse que ama os seus pais. “Rezo por eles; espero que entendam a minha opção”.

A família chegou a procurar o bispo Dom Gil Antônio Moreira, para pedir a sua intervenção. Dom Gil enviou uma carta informando que não daria declarações sobre o caso, para ‘não criar polêmica’. A diretora da Opus Dei, Vera Lúcia Perri, também em entrevista para a emissora, explicou que os membros da instituição aprendem vários cursos, como secretariado, telefonista, computação e hotelaria, como foi o caso de Taís.

Foi vontade de Deus

Taís afirmou que foi a “vontade de Deus” que a levou à Opus Dei. O repórter Alex Mendes disse que não teve autorização para conhecer o Sítio Aroeira, onde os membros ficam. Desde o ano passado vinha tentando ingressar para mostrar o que acontece lá dentro. “O máximo que consegui foi chegar à recepção”.
A Opus Dei estaria hoje com 200 membros. Ela foi criada em 1928 e, em 1950 chegou ao Brasil, na cidade de Marília.

Segundo Josefa, nos primeiros dois anos em que a filha trabalhou como empregada doméstica para a instituição, contribuiu em casa com o seu salário, ajudando no sustento de todos. Após esse período é que a cabeça foi modificando e Francisco percebeu que a filha dizia ‘coisas estranhas’, como a pregação de que todos têm de aceitar humilhações para ficar mais próximos de Deus. Josefa disse que a filha se tornou “uma escrava”.

Após a apresentação da reportagem na TV, onde Taís declarou que não voltará para casa e se mudará para Porto Alegre, Josefa disse que ‘não vai mais atrás da filha’. Disse que vai deixar agora tudo para Deus, para que ‘ele decida qual é o melhor caminho para Taís’.

Católica sempre

Josefa e Francisco dizem que, apesar desse problema com a “seita”, não vão deixar de freqüentar a Igreja Católica, ‘porque ela é boa’.

Quanto ao bispo Dom Gil, Josefa disse, na sexta-feira, por telefone, que “é uma pessoa boa, um coitado, apesar de não saber de nada do que acontece lá dentro da Opus Dei”.
A partir de agora, os pais dizem que vão deixar as mensagens que espalharam para todo o Brasil, como o site no Orkut “Opus Dei – Libertem a Taís” e o livro de Josefa, para que outros os pais não caiam na mesma armadilha.

“Eu vi a declaração da minha filha pela TV e me convenci de que fizeram uma lavagem cerebral nela. Ela nasceu com a mente boa, mas agora foi modificada de forma transgênica (sic)”, conta a mãe, que vai “confiar em Deus em alguma mudança. O que eu sofri foi como um estupro”.

Espaço de debates

Na comunidade criada por Francisco Araújo e Josefa, “Opus Dei – Libertem a Taís !!!”, no Orkut, várias mensagens de apoio à família foram postadas. Mas há, também, de defensores da Opus Dei, explicando que ‘são ignorantes os que acreditam nos depoimentos dos pais’, porque a Igreja Católica só quer “difundir a vida cristã no mundo, no trabalho e na família.” No sábado, a comunidade no Orkut não permitia acesso aos depoimentos postados e nem às fotos dos participantes.

Fonte: Jornal de Itupeva