O filho adolescente de John Travolta, de 16 anos, foi encontrado desacordado no banheiro da casa de veraneio da família nas Bahamas. A autópsia do corpo apontou uma crise convulsiva como causa da morte. Poderia ele ter sido salvo se John Travolta não fosse adepto da cientologia, uma seita que afirma que os distúrbios mentais são fruto de fraquezas humanas e que devem ser tratados por meio de “cicatrização espiritual”?

O casal John Travolta e Kelly Preston vive um momento devastador: a morte de seu primogênito. Jett, de 16 anos, foi encontrado desacordado no banheiro da casa de veraneio da família nas Bahamas, na manhã do dia 2. Apesar dos esforços do pai para reanimá-lo com massagem cardíaca e respiração boca a boca, o rapaz não resistiu.

A autópsia do corpo, realizada a pedido da família, apontou uma crise convulsiva como causa da morte. Um enigma, contudo, persiste: poderia Jett ter sido salvo, não fosse Travolta um adepto da cientologia?

Essa seita bizarra, que faz sucesso entre as estrelas de Hollywood, sustenta que os distúrbios mentais são fruto de fraquezas humanas e que devem ser tratados por meio de “cicatrização espiritual”. Ou seja, nada de remédios. O que isso tem a ver com a tragédia? Bem, o produtor Joey Travolta, irmão do ator, diz que o sobrinho era autista. Mas seus pais se recusavam a admitir isso e a tratá-lo, visto que a cientologia não aceita a existência desse distúrbio.

O assunto é espinhoso desde 2003, quando Kelly Preston comentou os problemas do filho em um programa de televisão. Os Travolta, que têm outra filha, Ella Bleu, de 8 anos, atribuíam as convulsões de Jett à síndrome de Kawasaki.

De origem desconhecida, essa doença consiste na inflamação de vasos sanguíneos, principalmente as artérias. Provoca febre alta, inchaço dos lábios e nódulos linfáticos do pescoço, que podem levar a paradas cardíacas e aneurismas. Nos momentos agudos, é possível ocorrerem convulsões. A enfermidade foi diagnosticada quando Jett tinha 2 anos – mas isso só torna tudo mais nebuloso.

Os especialistas afirmam que a doença poucas vezes é fatal e raramente atinge crianças de mais de 8 anos. “A síndrome de Kawasaki, quando diagnosticada no início, pode ser tratada em duas semanas, sem deixar sequelas”, diz o infectologista Pedro Takanori, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Joey Travolta participou das filmagens de um documentário sobre autismo e, segundo um amigo, viu seu sobrinho Jett em cada um dos 65 jovens autistas entrevistados. Hoje, ele faz parte de grupos, ao lado de John Schneider, Jenny McCarthy e Jim Carrey, cujo objetivo é ajudar os pais a lidar com filhos autistas. Apesar de insistir, Joey não conseguiu que o irmão aceitasse a condição do filho.

O autismo é um distúrbio que compromete o desenvolvimento de habilidades sociais e comunicativas. Crises convulsivas estão entre suas características.

Segundo os advogados de Travolta, o tratamento de Jett combinava a purificação espiritual da cientologia com um anticonvulsivo prescrito por neurologistas. Mas o medicamento mostrou-se ineficaz para conter as crises convulsivas e foi suspenso. A saúde do garoto ficou por conta das bizarrices da seita. Se isso contribuiu para sua morte, talvez nunca se venha a saber.

Fonte: Revista Veja