Centenas de famílias do distrito de Al-Daura, no sul de Bagdá, começaram a abandoná-lo, depois que milicianos xiitas impuseram no local a “Sharia” ou lei islâmica, informou a agência de notícias da ONU, “Irin”.

“Temos informações de que mais de 300 famílias fugiram do local nas últimas duas semanas e que o número dos que fogem aumenta diariamente”, declarou Fatah Ahmed, vice-presidente da Associação de Ajuda ao Iraque (AAI).

Segundo seu relato, os grupos armados são muitos mais intransigentes com os cristãos, obrigando-os a se converter ao Islam ou pagar “altos impostos” para continuar morando no distrito.

“Este distrito foi cenário diário de confrontos e agora a situação piorou ainda mais, já que está sob o controle de milícias xiitas, que às vezes nos obrigam a pagar pedágio para entrar na área”, explicou Ahmed.

Um ex-morador de Al-Daura que se identificou como Haki Salam, de 54 anos, disse à “Irin” que ele e sua família abandonaram o local “por causa da rigidez da lei islâmica que foi imposta”.

“Os homens têm que deixar crescer longas barbas e as mulheres devem cobrir o rosto com um véu. Além disso, elas foram proibidas de sair na rua sem a companhia de seus esposos”, afirmou Salam, que agora vive como deslocado em uma área dos arredores de Bagdá.

O homem também denunciou que a pessoa que negar se submeter à “Sharia” corre o risco que um de seus parentes seja seqüestrado ou assassinado em sua própria casa.

Um cristão que não quis se identificar por razões de segurança afirmou que um de seus filhos foi seqüestrado por homens armados que exigem um resgate para libertá-lo.

“Eu agora venderei minha casa para pagar os US$ 20 mil de resgate pedidos pelos seqüestradores, que além disso me disseram que devo abandonar Al-Daura, já que só os convertidos ao Islam podem morar no distrito”, assinalou o cristão.

Um miliciano que se identificou como Abu Hussein, explicou a “Irin” que os grupos islamitas impuseram a “Sharia” para impedir que o Islã seja desvirtuado.

Enquanto isso, a Polícia da região assegura que pouco pode fazer para controlar a situação com o número reduzido de agentes de que dispõem.

Fonte: EFE