Católicos tradicionalistas expulsaram 20 cristãos evangélicos nesta semana de uma cidade no Estado de Guerrero, e cortaram a água e a eletricidade de oito famílias protestantes no Estado de Chiapas, no México, segundo fontes cristãs.

Autoridades de Tenango Tepexi, em Guerrero, removeram na segunda-feira (18 de fevereiro) 20 cristãos, de três famílias e incluindo 14 crianças, de suas casas. Fontes disseram que os cristãos foram mantidos temporariamente em repartições municipais, e depois levados em caminhões e despejados nos limites da cidade.

Líderes da cidade que apóiam os católicos tradicionalistas, que praticam uma mistura de catolicismo e de sua religião nativa, disseram que eles seriam queimados até a morte se tentassem retornar.

O motivo para a expulsão dos evangélicos: eles não pagaram as taxas para os festivais religiosos que honram os santos católicos, nos quais há muita bebida. Contrariamente à Constituição mexicana que garante a liberdade religiosa, muitas comunidades indígenas obrigam os aldeões a contribuir e participar dos festivais católicos.

Usos e costumes

Para opor-se à garantia de liberdade religiosa, chefes da cidade ou “caciques” mencionam a Constituição local de proteção aos “usos e costumes”. Os advogados cristãos dizem que esse termo é para prevenir que o governo proíba as práticas nativas – e não para forçar os aldeões a participarem delas.

Na quarta-feira passada (20 de fevereiro), o prefeito da municipalidade à qual Tenango Tepexi pertence, Tlapa de Comonforte, usou o argumento dos “usos e costumes” para forçar os evangélicos a pagar as taxas dos festivais religiosos, ainda que eles se recusassem a fazê-lo.

“É importante que eles participem com suas cooperações [pagando taxas] para fazer com que o festival seja maior”, disse o prefeito Martiniano Benitez Flores.

Ele disse ainda que nenhuma ação legal deveria ser tomada contra a cidade pela expulsão dos evangélicos. O prefeito ofereceu moradia temporária para os refugiados e providência de alimento até que eles pudessem achar novos meios de sustento, mas eles perderam suas casas e propriedades.

Foram expulsos Jose Gonzalez Gonzales, sua esposa Francisca e sete filhos, mais Nicolas Gonzales Perez, sua esposa Ernestina e seis filhos, e Armando Morales Dircio, sua esposa Catarina e um filhinho de um ano.

Casos não resolvidos

Em Chiapas, na área de Santa Rita, católicos tradicionalistas liderados por Antonio Hernandez Aguilar e Rolando Aguilar Hernandez cortaram também na segunda-feira (18 de fevereiro) a água e a eletricidade de 40 pessoas, de oito famílias evangélicas.

Os motivos foram similares. Os católicos tradicionalistas insistiram para que os cristãos pagassem não somente pelos festivais religiosos, mas também ajudassem a consertar a construção da igreja católica local. As famílias se recusaram a pagar a taxa de 10.000 pesos (U$ 928).

De acordo com o Fórum Nacional dos Advogados Cristãos, as famílias cristãs acumularam taxas não pagas que totalizam 40.000 pesos (U$ 3.711).

Adan Aguilar Perez um líder evangélico em La Trinitaria, disse que conflitos com os católicos tradicionalistas são causados pela má vontade do governo de reforçar as leis contra a intolerância religiosa.

Líderes evangélicos em Chiapas admitem, entretanto, que o governo tem dado alguns passos para garantir a liberdade religiosa, incluindo a formação de um comitê para servir de ligação entre os evangélicos e o governo do Estado. Manuel Morales Agustin, que tem trabalhado para organizar comitês municipais pelo estado para todos os grupos religiosos, foi nomeado para ser o chefe da equipe.

Estes pequenos passos têm sido esperados por muito tempo. Em outra cidade de Chiapas, sob domínio de Zinacantan, os cristãos não tiveram acesso à água potável até 26 de dezembro de 2000. Eles sobreviveram com a água que era trazida ocasionalmente por caminhões pipa.

“A maioria católica de tradicionalistas decidiu suspender a cerimônia em represália à profissão da religião evangélica”, de acordo com o repórter Elio Henriquez do jornal “Cuarto Poder”.

Rendição em nome da paz

Algumas comunidades responderam simplesmente se rendendo. Na vizinhança do Estado de Oaxaca, o qual também possui uma grande população indígena, muitos grupos evangélicos decidiram pagar o que as cidades requeriam a fim de manter a paz, de acordo com o advogado Enrique Ángeles Cruz.

Um caso ainda sem solução no Estado de Oaxaca é o de Santo Domingo Nuxaá, em Nochixtlán, onde autoridades da cidade simplesmente se apossaram da propriedade da igreja Divino Redentor e estão construindo nela sem nenhuma compensação, apesar dos protestos legais.

À luz de tais incidentes, no início de fevereiro, mais de 300 evangélicos participaram de um fórum pelos direitos humanos na fronteira de Comala, Chiapas, organizado pelo Fórum Nacional dos Advogados Cristãos que é presidido por Alfonso Farrera Gonzalez. Também estiveram presentes líderes dos serviços de relações religiosas do estado e do município.

O encontro pugnou 39 casos de intolerância religiosa que estão sem solução em Chiapas, e mais 15 outros em outras partes do México.

Fonte: Portas Abertas