Soluções “mágicas” para problemas familiares, infertilidade, solidão ou doenças estão agora ao alcance de qualquer árabe: basta apenas uma ligação e um “guru” responde na TV às dúvidas que atormentam os espectadores.

Os programas televisivos de magia estão tão em moda que a operadora de satélites árabe “Arabsat” ameaçou cortar seu sinal aos canais que continuarem fazendo negócios com adivinhação.

A quantidade de telespectadores também cresce exponencialmente: a linha telefônica para falar com os telefeiticeiros quase sempre está ocupada.

A “Arabsat”, que opera quatro satélites no mundo árabe, na África e na Europa concedeu um prazo de duas semanas às emissoras de televisão locais para que terminem com a transmissão de programas do tipo.

“Ficamos surpresos com o conteúdo desses canais, que ultrapassaram os limites. Adotaremos as medidas necessárias para pôr fim à transmissão”, afirmou o diretor operacional da empresa, Khaled Bin Ahmedal, ao jornal árabe internacional “Asharq Al Awsat!”.

Há quatro meses, a operadora, com 130 milhões de assinantes, já havia feito a mesma advertência aos canais que divulgam programas de magia, após ter sido alvo de críticas de seus clientes.

A outra operadora de satélite árabe “Nilesat” também pediu aos espectadores dos 680 canais aos quais envia seu sinal que encaminhem suas queixas à empresa caso vejam algum programa de conteúdo inadequado.

Nos programas de magia, uma mulher ou um homem chamado de “xeque”, às vezes com aparência moderno, recita versículos do Corão para lançar suas feitiçarias.

Antes de oferecer soluções aos telespectadores, os magos se esforçam para convencê-los de que já tinham uma idéia de seus problemas através de sua comunicação com os demônios.

Já os telespectadores, que em sua maioria são jovens e mulheres, contam seus problemas e ouvem fórmulas “mágicas” antes de repetir os versos religiosos tantas vezes quanto mando o apresentador, na prática, o próprio mago.

Para os especialistas muçulmanos, o fenômeno da feitiçaria televisiva é tão preocupante que vários intelectuais do mundo muçulmano pediram à Liga Árabe e à Organização para a Conferência Islâmica que adotem medidas cabíveis para acabar com a transmissão de programas através da “Arabsat” e da “Nilesat”.

“O Islã proíbe a difusão e o comércio das feitiçarias, mas os programas se aproveitam da curiosidade humana e da necessidade dos homens de saber o futuro para alcançar seus objetivos econômicos”, disse à agência Efe o especialista egípcio de estudos islâmicos Abdel Moti Bayumi.

A grande quantidade de telespectadores levou alguns canais de música, como o “Sahm TV”, a mudar totalmente sua grade de programação e a preenchê-la apenas por programas de magia.

A fama obtida pelos telefeitceiros é tão grande que o serviço ultrapassou o mercado da televisão e, agora, também é oferecido via mensagens de SMS e por e-mail.

Fonte: EFE