Uma medalha com a imagem da santa católica Nossa Senhora das Graças de um chaveiro está dando o que falar na pequena Capistrano, a 83 km de Fortaleza, CE. Exposta na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, em frente ao altar, sobre uma mesa, presa a uma sacola plástica e iluminada por um comum abajur de leitura, a medalha atrai, diariamente, dezenas de pessoas, a maioria fiéis da santa, do município e de localidades vizinhas.

Fiéis e devotos da santa acreditam que ela muda de lugar transpassando a sacola sem deixar rasgos. Vários pontos feitos em caneta pelo padre Francisco Eudásio da Silveira marcam os locais onde já esteve. Algumas marcas têm milímetros de distância e, outras, vários centímetros.

De acordo com o pároco da cidade, a medalha, exposta desde o início da semana, passa grande parte do dia rodeada de pessoas. Por isso, ele improvisou um cordão de isolamento em volta do objeto.

Milagre?

Padre Silveira explicou que a situação foi verificada pela primeira vez no dia 26 de novembro último, na loja de uma comerciante local, Gislene Maciel, que havia comprado o chaveiro em 3 de outubro, em Canindé.

Segundo ele, um dos funcionários do mercantil colocou vários objetos numa sacola, entre eles o chaveiro com a imagem. Ao suspender a sacola, uma surpresa. A medalha de Nossa Senhora das Graças estava pendurada, do lado de fora do saco, mas não havia um buraco por onde passasse.

O irmão de Gislene, Cristiano Maciel, foi um dos primeiros a observar a peculiaridade do posicionamento da medalha. Impressionado, ele retirou tudo de dentro da sacola, deixando somente o chaveiro e guardou para mostrá-lo à irmã.

“Quando a gente foi olhar de novo, a santa já estava em outro local. E teve uma hora que eu estava mostrando para uns amigos que bastou eu virar o rosto uns momentos e, quando percebi, ela tinha mexido de novo”, relata Maciel.

Gislene, que sempre foi devota de Nossa Senhora das Graças, logo levou o chaveiro ao padre, que pediu que ela prestasse a atenção se o fenômeno voltaria a ocorrer. Pouco tempo depois o pároco recebeu a ligação, no dia 27 de novembro, data comemorativa de Nossa Senhora das Graças.

“O padre falou para eu levar a medalha para uma missa em homenagem à santa numa outra localidade. Depois ele trouxe aqui para Igreja e ficou com ela”, diz a comerciante.

Já de posse do chaveiro, padre Silveira pôde observar melhor o que ocorria com o chaveiro e começou a marcar com uma caneta os locais por onde a imagem passava. Surpreso com o fato, informou o acontecimento ao bispo da região, dom Ângelo Pignole.

Ele (bispo) me pediu que tivéssemos cautela e rezássemos muito para a santa”, afirma.

Segundo o pároco de Capistrano, o próximo passo é elaborar uma urna de vidro para deixar a medalha mais protegida e exposta para os visitantes. “Mas se você me perguntar o que está acontecendo, o que significa, eu não sei. É o que a gente está vendo”, frisa.

Devoção e curiosidade

Grande parte dos visitantes da medalha de Nossa Senhora das Graças já vem de localidades vizinhas. A maioria acredita em uma mensagem de Nossa Senhora das Graças ou até em milagre. As pessoas mais céticas também vão ao local, mas para matar a curiosidade.

O lojista Wladimir Gonçalves Freire, de 30 anos, que acompanha o acontecimento desde o início, acredita estar diante de um milagre. “É muito impressionante a sacola não rasgar por onde a santa passa”, comenta o católico.

Já a pensionista Maria das Mercedes, de 67 anos, pensa que o fenômeno é um aviso para que as pessoas acreditem mais em Deus e na santa.

“As pessoas não vão mais à missa. Tem que aparecer alguma coisa para chamar os fiéis”, sugere a fiel católica, complementando: “Eu nunca tinha visto nada do tipo. Mas, sempre muito religiosa, já alcancei várias graças ao longo da vida”, conta Maria das Mercedes.

Protagonistas

O Sr. acredita que o chaveiro com a imagem da santa está mudando de lugar?

Gislene Maciel, comerciante

Eu comprei a medalha em 3 de outubro, em Canindé. Nesse dia, fiz uma promessa e já alcancei minha graça no dia 6. Eu acho que isso deve significar algo de bom. Mas não acho que sejamos dignos de um milagre

Cristiano Maciel, comerciante

Assim que percebemos que a santa mudava de lugar, fomos na casa de um conhecido para tirar fotos. Depois, a cada mudança a gente tirava foto com o celular. E agora o padre está marcando com a caneta para comprovar

Jucelene de Oliveira, dona-de-casa

Nós estamos precisando de muitas graças e é isso que a santa está mostrando. Eu acho que logo deve acontecer algo de bom para nós, mas só quem sabe é Jesus. Nós precisamos ter mais fé em Deus e rezar

Fonte: Diário do Nordeste