Uma foto de Jesus Cristo nu com corpo de mulher está causando polêmica na Espanha. A obra do fotógrafo espanhol Jose Antonio Montoya foi publicada em dois álbuns, publicados em 2000 e 2003, contendo fotos de Jesus e Maria nus, entre outras figuras religiosas, em atitudes às vezes pornográficas.

Montoya realizou uma montagem utilizando imagens religiosas clássicas modificadas de forma a exibir a genitália, com conteúdo erótico ou pornográfico.

Uma das fotos de Montoya, remetendo à Anunciação, mostra o anjo Gabriel segurando seu pênis ereto na mão e se movendo em direção a Maria, que está sentada, nua, com as pernas abertas num sofá.

Os livros foram publicados há oito e cinco anos, mas a polêmica explodiu agora durante a campanha para as eleições locais e regionais.

O conservador Partido Popular citou o trabalho de Montoya para debater assuntos morais e para criticar o governo do Partido Socialista da região de Extremadura, no sudoeste do país, que financiou parte das obras.

Para o Partido Popular, o fato de dinheiro público ter sido usado para financiar o trabalho representa uma ofensa aos espanhóis, cuja grande maioria é profundamente católica.

Já o Partido Socialista se defende afirmando que trabalhos artísticos não podem ser limitados por critérios políticos e sociais.

O fotógrafo Jose Antonio Montoya disse que não teve a intenção de ofender os católicos e sim de criticar o que chamou de hipocrisia dentro da igreja, citando a discriminação contra a mulher no sacerdócio e contra padres gays. Montoya considerou “lamentável” e “oportunista” a polêmica que seu trabalho tem gerado.

Montoya, de 53 anos, que se criou no Peru, país onde vive com sua família, disse por telefone à agência Efe que esse trabalho que agora é objeto de controvérsia, pertence a uma série que elaborou durante uma década e que terminou há três anos. As fotos foram expostas em várias galerias espanholas e publicadas em dois livros pela Editora Regional de Extremeña, dependente do governo regional de Extremadura: La Fotografia de J.A. Montoya (2000) e Sanctorum (2003).

Fonte: Estadão