Quando Franklin Graham (foto) fez uma declaração que criticava de alguma maneira o filme Billy: The Early Years (sobre seu pai, Billy Graham), sua irmã mais velha saiu em defesa do filme e questionou o julgamento do irmão.

“Não quero dizer nada errado a respeito do meu irmão, apenas não enxergo as coisas da mesma maneira que ele. Franklin me telefonou e disse que achou o filme bobo. Mas achei bom e positivo, creio que honra a Deus, minha mãe e meu pai”, disse Gigi Graham Tchividjian, a mais velha dos cinco filhos de Billy e Ruth Graham, à revista Christianity Today.
“Não sei por que Franklin achou necessário fazer uma declaração pública. Gostaria que ele não tivesse tocado neste assunto.”

Billy: The Early Years fala sobre a adolescência, a juventude e o chamado de Billy Graham para o ministério. Dirigido por Robby Benson e estrelado por Armie Hammer, o filme não chega aos cinemas antes de 10 de outubro de 2008, mas uma prévia já foi transmitida a pastores e igrejas para que se ouça a repercussão.

Franklin Graham, presidente da Associação Evangelística Billy Graham (BGEA), publicou uma declaração no site oficial da organização dizendo que a BGEA “não colaborou e nem apóia o filme Billy: The Early Years.

Mark DeMoss, porta-voz de Graham, disse à Christianity Today que Graham estava simplesmente tentando esclarecer o que estava se tornando um equívoco de muitos pastores: pensar que o filme havia sido autorizado pela BGEA.

“Temos ouvido a respeito de uma grande confusão, particularmente nestas prévias do filme, sobre o envolvimento da BGEA com o filme. Algumas pessoas que promovem o filme têm dado a impressão de que este envolvimento aconteceu e isso é uma falsa impressão. A BGEA não teve nada a ver com isso. é um filme independente.”

Billy Graham não fez nenhuma declaração pública a respeito do filme. DeMoss disse que a BGEA raramente apóia produtos, a não ser que tenham sido feitos pela própria organização.
Bill McKay, um dos três produtores do filme, disse que compreende a razão por trás da declaração de Franklin Graham.

“Desde o início foi uma preocupação consistente para nós: que o nosso filme fosse indevidamente associado com a BGEA. Sempre soubemos da política da organização de não apoiar estes tipos de projeto. E respeito esta política”, disse McKay.

O filme contém nos créditos iniciais um alerta de que o filme não é associado à BGEA, mas Franklin Graham aparentemente tinha outras preocupações. Sua declaração oficial dizia que no filme “falta a maior paixão de meu pai: pregar o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo para o mundo”, mas sua irmã discorda da declaração.

“Franklin diz que o filme não retrata a paixão de papai pela pregação, mas creio que retrata sim. Além disso, não tenho certeza se papai teve paixão pela pregação. Papai teve um chamado e o aceitou, seguindo-o fielmente.”

A declaração de Franklin Graham também afirma que o filme “relata eventos que nunca aconteceram ou que estão pintados de forma mais bela do que na realidade”. Graham não especificou nada, mas DeMoss (que não assistiu ao filme) disse que Graham deu a ele alguns exemplos.

Segundo DeMoss, a parte do filme que mais incomodou Graham foi a cena em que Bob Jones Sr, então presidente da fundamentalista Bob Jones College, grita com o jovem Billy que ele “nunca será nada” e que ele vê “nada além de fracasso para você!” (a cena está no trailer do filme).

DeMoss disse ao jornal The Charlotte Observer que Franklin Graham pensou que a cena “deturpou completamente a imagem de Bob Jones” e que Franklin escreveu uma carta para Bob Jones III (atual presidente da Bob Jones University) para dizer que “não colaborou com o filme”.

Mas a autobiografia de Billy Graham indica que a cena com Jones está correta: a ira de Jones como resultado do questionamento de Graham sobre a visão da universidade e a decisão de se transferir para o Florida Bible Institute [Instituto Bíblico da Flórida].

Em sua autobiografia, Graham escreveu: “Solicitei uma entrevista com Dr. Bob em seu escritório e falei a ele do meu descontentamento e de meus pensamentos acerca de deixar a escola. Em alto e bom som, ele me descreveu como um fracasso e previu apenas mais fracasso em meu futuro.”

McKay e Tchividjian buscaram a veracidade da cena: “Consultamos dez ou doze biógrafos sobre esta parte da história. Praticamente todos concordaram com a nossa descrição da cena. E todas as pessoas que trabalharam para Bob Jones nos contaram que ele era assim. Temos testemunhas que viram o comportamento de Bob Jones e nosso objetivo sempre foi relatar a verdade dos acontecimentos.”

“Algumas pessoas me perguntaram sobre esta cena e eu disse que Dr. Bob foi muito duro com papai. As pessoas que o conheciam afirmaram que ele era assim”, disse Tchividjian.
DeMoss também citou a cena em que o jovem Billy desmaia no hospital ao saber do nascimento da filha Gigi, quando na verdade, Billy estava pregando no Alabama neste momento.

Nem Tchividjian nem o produtor McKay discutem o fato, mas dizem que Franklin Graham criticou a questão.

“As pessoas precisam se lembrar que um filme é ficção baseada em fatos. Papai não estava lá quando eu nasci. Mas, e daí? A quem importa?”, diz Tchividjian, que já assistiu ao filme dez vezes e afirma que os cineastas apenas colocaram humor na cena.

“Vejam, é um filme, e não um documentário. Estamos apenas tentando humanizar a experiência da cena. Mas em cada passo, tentamos ser o mais fiel possível à história do Dr. Graham”, relata McKay.

Outra cena à qual Franklin Graham se opôs, mostra Billy e Ruth em um jogo de beisebol, mas DeMoss diz que isto nunca aconteceu. “Não me importo se minha mãe jogou ou não beisebol. Mas, de novo, por que isso é importante? A cena mostra a doce relação de amor entre mamãe e papai”, diz Tchividjian.

McKay ficou impressionado com o excesso de críticas sobre detalhes do filme. “Fizemos muita pesquisa antes de escrever o roteiro”, relata McKay, que é um pesquisador experiente, bem como cineasta e produtor de documentários, incluindo um a respeito da vida de Billy Graham. “Nós fizemos um seguro contra erros e omissões para ter certeza de que faríamos tudo corretamente – autenticando todas as cenas, histórias e fatos. O seguro nos dá liberdade artística, mas nos cobra que sejamos fiéis aos fatos. Tivemos que entregar ao escritório de advocacia a documentação com cerca de 750 páginas e levamos nove meses para finalizar as cláusulas. Temos duas das melhores firmas de advocacia trabalhando nisso e custa muito dinheiro”, disse McKay, mas não falou em valores.

McKay continuou dizendo: “Precisamos extrair alguns eventos do filme, porque precisávamos contar muita história em apenas 90 minutos. Mas fora isso, fomos muito meticulosos. Por causa do meu histórico em fazer documentários, fui extremamente cauteloso. Queria que este fosse um testamento da vida do Dr. Graham, e me preocupo profundamente com seu legado.”

O co-produtor Larry Mortoff adicionou: “Fizemos muita pesquisa e, a meu ver, fizemos um trabalho abençoado que honra a vida de Billy Graham. O filme não poderia ser mais gentil à família Graham. Após uma exibição recente, alguém me disse: “Você preservou o trabalho de Billy Graham para futuras gerações. Obrigada. Agora meus filhos saberão de sua história também.” Tchividjian concorda: “Quando ouvi a respeito do filme, tinha duas preocupações: que o evangelho de Jesus Cristo estivesse lá e que fosse algo positivo para meus pais e seu ministério. Em ambas as categorias, foi um bom trabalho!”

“Este não é um grande filme de Hollywood. é simplesmente um filme sobre um garoto simples que na adolescência decidiu seguir a Deus. é um filme sobre fazer escolhas e mostra a importância de fazer as escolhas certas. E meu pai fez a escolha certa”, completa Tchividjian.

Assista ao trailer de Billy: The Early Years:

Fonte: Cristianismo Hoje