A irmã Joan Krimm, que foi amiga de infância da freira Dorothy Stang, afirma que a decisão da Justiça do Pará de absolver o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, da acusação de ser o mandante do assassinato da religiosa causará “mais derramamento de sangue”.

Joan Krimm conviveu com Dorothy Stang em Dayton (Ohio), nos Estados Unidos, entrou para a ordem de Notre Dame de Namur juntamente com ela e serviu como missionária ao lado da religiosa em Coroatá, no Maranhão.

“A vida de qualquer um que trabalha pelo pobres na região está em perigo”, disse a freira em entrevista à BBC Brasil. “As pessoas estão com medo, e muitos já sabem que correm riscos, como o bispo local e o pastor, que estão ambos marcados para morrer.”

Dorothy Stang foi assassinada em fevereiro de 2005. Bida, que estava preso desde março de 2005, foi libertado na quarta-feira. O fazendeiro foi considerado inocente pelo Tribunal do Júri de Belém.

Bida havia sido julgado condenado na primeira vez em que foi julgado, em maio de 2007. Na ocasião, ele havia sido considerado culpado e sentenciado a 30 anos de prisão.

‘Sim e não’

Ao ser indagada se a decisão do tribunal de Belém causou surpresa, a freira reage com uma postura crítica.

“Fiquei surpresa porque, da primeira vez, Bida foi condenado por unanimidade, por 7 votos a 0”, afirmou. “Mas, por outro lado, não me surpreendo porque nenhum fazendeiro, madeireiro ou mandante de assassinatos na região foi condenado.”

“O fato de que os três mudaram por completo seus depoimentos diz alguma coisa”, acrescentou Krimm, em referência a Bida, ao pistoleiro Rayfran das Neves, o Fogoió, e o homem acusado de intermediar o crime, Amair Feijoli da Cunha, o Tato.

Da primeira vez que foi a júri, Neves afirmou ter feito os disparos contra Stang, mas acrescentou que a arma pertencia a Bida. No julgamento desta semana, o pistoleiro mudou sua versão, acrescentando que a arma pertencia a ele.

Pressão

A religiosa afirma que a ordem das irmãs de Notre Dame de Namur, com sede no Estado americano de Ohio, não está buscando, por ora, recorrer a fóruns internacionais ou tentar pressionar autoridades brasileiras a rever a decisão.

“Nós respeitamos as leis e o governo do Brasil, não queremos interferir nisso”, diz Joan Krimm. “Eles irão nos acusar de interferência internacional, não importa o que façamos.”

Para a freira, os religiosos que atuam na região “precisam deixar a tristeza e a decepção para trás e continuar a atuar em defesa dos pobres”. “E não deixar que isso nos páre”, completa a missionária.

Fonte: BBC Brasil