A freira italiana Leonella Sgorbati, que foi assassinada no domingo na Somália, foi enterrada ontem em Nairóbi, após uma missa celebrada em uma capela da capital.

Centenas de pessoas, entre elas muitas religiosas, membros da comunidade italiana no Quênia e diplomatas da União Européia assistiram à missa de corpo presente.

“Acho que ela nos diz que o novo mundo que Cristo veio nos dar não é possível apenas no céu, mas aqui e agora. Ela achava realmente que irmãos e irmãs podem viver juntos”, afirmou o bispo da Somália e Djibuti, Giorgio Bertin.

“Há os que dizem que a esperança é inútil, que a fraternidade entre diferentes religiões não é possível, esta não era a mensagem de Leonella”, acrescentou. Bertin lembrou que a religiosa morreu junto a um muçulmano, seu guarda-costas.

“Houve outros mártires na Somália, outras pessoas que deram sua vida pelos pobres, a justiça e o respeito desse povo. Espero que a irmã Sgorbati seja a última mártir da Somália”, disse.

Sgorbati, de 65 anos, trabalhava em uma maternidade da fundação Aldeias SOS na capital somali, Mogadíscio, onde foi morta a tiros no domingo por dois homens armados.

A Somália vive sem um Governo central desde 1991, quando o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado.

Há alguns meses os Tribunais Islâmicos tomaram o controle de Mogadíscio e vários pontos estratégicos do centro e do sul do país, enquanto o Governo e o Parlamento estão instalados temporariamente em Baidoa, a noroeste de Mogadíscio.

Um dia após o assassinato de Sgorbati, um atentado com carro-bomba em Baidoa contra o comboio do presidente Abdullahi Yusuf Ahmed matou seis pessoas, entre elas o irmão do presidente.

Fonte: EFE