Depois de 18 terríveis dias de batalha com as autoridades religiosas islâmicas, finalmente Ngiam Kong obteve o direito de enterrar a esposa dele que morreu no dia 30 de dezembro de acordo com os rituais cristãos.

O juiz da Suprema Corte Lau Bee Lan decidiu permitir o enterro cristão de Wong Sau Lan derrubando a alegação do Conselho Religioso Islâmico Malaio que dizia que ela havia se convertido ao islã dias antes.

A luta de Ngiam com autoridades religiosas islâmicas começou quando a esposa dele morreu após a falência dos rins no Hospital Universitário Nacional Malaio.

Depois da morte dela, o Conselho Religioso Islâmico solicitou à polícia que o hospital não liberasse o corpo dela ao marido a menos que ele admitisse que ela havia se convertido ao islã no dia 24 de dezembro de 2007.

Muçulmanos alegam conversão

Autoridades religiosas islâmicas disseram que Wong Sau Lan se converteu ao islã porque teria recitado versos árabes durante uma sessão com um curandeiro naquela semana.

Ngiam, apesar de budista, não acreditou na versão e decidiu levar o assunto para a Justiça. Ngiam sustenta que a esposa dele era cristã e foi batizada em novembro 2007.

O advogado de Ngiam, Karpal Singh, disse aos repórteres que ficaram do lado de fora do tribunal que o corpo seria cremado e seguiria os rituais cristãos.

Embora aliviado com o resultado do caso, Ngiam disse que fará uma queixa de negligência contra o Conselho Religioso Islâmico. “Eles deveriam averiguar que qualquer conversão é feita de acordo com a lei islâmica e só deveriam admitir se houvesse uma conversão legal”, disse ele.

Casos semelhantes

O doutor Ng Kam Weng, diretor de pesquisa do Centro Kairos, pediu que as autoridades religiosas islâmicas sejam mais sensíveis. Segundo ele, ocorreram muitos casos onde as famílias ficaram traumatizadas porque tiveram ações precipitadas e enterraram seus mortos segundo a tradição islâmica.

Nos últimos anos, houve dois outros casos nos quais as famílias dos mortos tiveram que batalhar no tribunal pelo direito de enterrar seus entes queridos conforme as suas crenças.

Em dezembro de 2006, a viúva de Rayappan Anthony terminou envolvida em uma disputa de nove dias porque as autoridades religiosas islâmicas alegavam ser ele um muçulmano, enquanto ela lutava pelo direito de enterrá-lo como cristão.

Em 2005, a viúva do escalador do Monte Everest, Moorthy Maniam, perdeu a batalha legal para enterrar o marido dela como um hindu porque o tribunal civil disse que não tinha jurisdição para mudar uma decisão de um tribunal islâmico. O marido dela teve um enterro muçulmano.

Fonte: Portas Abertas