Os jogadores santistas que seguirem no clube na temporada de 2010 terão de obedecer a uma cartilha elaborada pela nova diretoria.

Dentre as exigências, estão a obrigatoriedade em conceder entrevistas coletivas, já que os jogadores recebem direto de imagem, não levantar a camisa quando comemorar gol para não tampar a imagem do patrocinador e a proibição de uso da imagem do clube em manifestações religiosas.

O último item causou certa polêmica na cidade. Para o padre José Nyalil Paul, pároco da igreja Nossa Senhora do Rosário (catedral de Santos), o clube da Baixada Santista não poderia tirar “este direito” dos jogadores.

“Todo cidadão tem o direito de expor sua religião. Então, acredito que o clube está tirando um direito do cidadão. Ao meu ver, essa proibição não é certa”, afirmou.

O presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro explicou a decisão da diretoria e disse que os jogadores, quando estão no clube, têm de se preocupar apenas com o trabalho.

“Quem tem as suas convicções, que o faça na igreja, deixe o campo de futebol para o jogo. Não tem de misturar, pois não existe em empresa alguma setores com comissões religiosas cuidando do trabalho”, disse o cartola em entrevista à rádio Jovem Pan.

O volante Roberto Brum, em suas entrevistas, sempre pregou sua devoção. No ano passado, o jogador foi afastado pelo então técnico Wanderley Luxemburgo e acabou deixando o Santos. Especula-se que a decisão do treinador foi tomada pelo fato de o jogador ser evangélico.

Sem querer se envolver em polêmica desta vez, o volante, que foi reintegrado ao elenco, afirma que a decisão da nova diretoria em criar o manual de conduta não o afeta em nada.

“Para mim, é indiferente. Eu nunca falei o nome de uma religião. Eu sempre preguei as coisas boas que Deus fez na minha vida e na vida de outras pessoas. Ainda não vi a cartilha, mas se estiver escrito que também não vamos poder falar de Deus nas entrevistas, não terá problema nenhum, vou respeitar da mesma forma”, falou o volante, que mais uma vez usou sua crença para justificar os argumentos.

“Na bíblia está escrito que as pessoas têm de respeitar seus superiores. Então, se eu não puder falar de Deus dentro do clube ou após uma partida, vou respeitar a decisão da diretoria sem problema algum, até porque posso pregar na praia, na rua, no culto ou em outro lugar”, completou Brum.

Fonte: Folha Online