Os palestinos de Gaza se acostumaram a esperar com impaciência o mês do ramadã, mas este ano é palpável o temor de enfrentamentos entre militantes de Hamas e Fatah por ocasião das orações coletivas.

Pela primeira vez, a Faixa de Gaza celebra o mês de jejum e piedade sob o controle dos radicais do Hamas, que tomaram o poder da região depois de derrotar em junho as forças de segurança fiéis ao presidente Mahmud Abbas, líder do Fatah.

Há mais de duas semanas, o Fatah e os grupos palestinos membros da Organização de Libertação da Palestina (OLP) dizem que os palestinos devem rezar nas ruas, por causa dos temores que de que o Hamas atue nas mesquitas com fins políticos.

A resposta dos islamitas foi dispersar os reagrupamentos à força e acusar o Fatah de utilizar a oração para “semear o caos”.

Apesar da maioria dos chefes dos “fatawis”, fiéis ao partido de Abbas, terem fugido para a Cisjordânia, estes recuperaram um pouco de força em Gaza. Passado o desgosto pela derrota de junho, eles pensam em se organizar.

“Se as provocações nas mesquitas continuarem, organizaremos protestos pacíficos durante o ramadã”, afirma uma fonte do Fatah, Hazem Abu Chanab.

“Estamos estudando a possibilidade de organizar as orações do Tarawih (após o fim do jejum) na rua”, acrescenta.

Esgotados por meses de violência partidária, os moradores de Gaza esperavam um pouco de paz nas semanas do ramadã, mas a última disputa sobre as orações acabou com as ilusões.

Para Ibtissame, que perdeu um sobrinho nos combates de junho entre Hamas e Fatah, o ramadã será um mês de luto.
“Como querem que as pessoas se alegrem quando perderam filhos nos acontecimentos sangrentos e outras dezenas estão detidas nas prisões da força executiva”, a polícia do Hamas, afirma.

Em sua confeitaria, uma das mais procuradas de Gaza, Abu Ghassane quer acreditar que as festas transcorrerão sem incidentes. “Todos os habitantes da Faixa de Gaza desejam reviver os ramadãs do passado, pendurar as lanternas nas portas das casas”.

Fonte: AFP