O geneticista católico italiano Angelo Vescovi afirmou ontem que o biólogo Craig Venter, que pesquisa o genoma humano e anunciou a criação de um cromossomo sintético, “não descobriu absolutamente nada de novo”.

Vescovi disse à “Rádio Vaticano” que foi feito “um organismo geneticamente modificado de algo já existente”, e não uma nova criação. No entanto, ele afirmou que se baseava no que tinha lido nos jornais, já que desconhece os dados da pesquisa.

Vescovi, da Fondazione Istituto San Raffaele, de Milão, disse que não concorda com a afirmação de que a descoberta abre novas perspectivas para realizar feitos atualmente impensáveis.

Segundo o geneticista italiano, o que há é uma evolução técnica “que é muito interessante”.

“Mas se não foi descoberto nada de novo, não há uma mudança de perspectivas”, afirmou.

O geneticista disse que a biotecnologia pode “tanto ajudar como destruir a humanidade”, e por isso pediu prudência ao tratar do assunto.

“Não vejo um Frankenstein pela frente, mas é importante um desenvolvimento, em paralelo a estes grandes progressos da ciência, de uma cultura, de uma filosofia e de uma bioética que sirvam para equilibrar e controlar estas forças, que são inescrutáveis em suas futuras aplicações”, disse Outro geneticista italiano, Bruno Dallapiccola, da Universidade La Sapienza de Roma, disse que o anúncio de Venter é uma “bomba biológica”.

“Temos uma bomba biológica na mão. Estamos no campo da criação elementar”, disse Dallapiccola, que se disse “admirado” como pesquisador, mas afirmou que esse tipo de descoberta deve ser controlada, “em interesse da humanidade”.

Dallapiccola também disse que “nem num futuro muito distante” haverá vida humana artificial, já que “nos encontramos perante uma criação unicelular e química”.

No entanto, afirmou que essas descobertas são positivas, já que a partir delas poderão se pensar na criação do gene da insulina ou de outras proteínas.

O americano Craig Venter anunciou a criação de um cromossomo sintético que poderia levar à criação da primeira nova forma de vida artificial na Terra, segundo publicou hoje o jornal britânico “The Guardian”.

Fonte: EFE