A legalização das drogas poderia reduzir a criminalidade e a violência que estão tomando conta do Rio de Janeiro, disse na sexta-feira o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que prometeu seguir exemplos bem-sucedidos de Nova York e da Colômbia.

“Grande parte da criminalidade no meu Estado e na cidade vêm da proibição (das drogas), muitos jovens morrem em guerras por pontos de venda de drogas”, disse Cabral a jornalistas estrangeiros, defendendo o debate sobre a legalização em nível nacional e mundial.

“Será que os Estados Unidos estão corretos em sua política conservadora sobre as drogas? Na minha visão, [estão] absolutamente incorretos”, afirmou o governador, há dois meses no cargo.

O Rio tem uma taxa anual de 40 homicídios para cada 100 mil habitantes, uma das maiores da América Latina. Grande parte disso se deve a disputas entre quadrilhas de traficantes e a confrontos delas com a polícia.

As autoridades dizem que a criminalidade só pode ser vencida com iniciativas de longo prazo, como educação e empregos. Propostas de legalização das drogas são raras no Brasil.

Uma das primeiras medidas de Cabral como governador foi pedir o envio da Força Nacional de Segurança ao Rio, depois de uma onda de violência antes de sua posse, em dezembro, quando bandidos atacaram postos policiais e queimaram ônibus.

Mas a presença de centenas de agentes surtiu pouco efeito. No mês passado, policiais e traficantes entraram em conflito em favelas. Houve ainda uma comoção popular em torno da morte do menino João Hélio, de 6 anos, arrastado em um carro durante um assalto.

Cabral disse que as polícias estaduais, os agentes federais e o Exército estão agora fazendo o trabalho de inteligência para operações pontuais contra traficantes, ao invés de confiarem em invasões “militares” mal planejadas, que freqüentemente causam a morte de inocentes nos morros.

Ele defendeu uma política de “tolerância zero”, inspirada na campanha do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, agora pré-candidato republicano à presidência dos EUA. Citou também exemplos colombianos em abrir as favelas para a presença do policiamento e dos demais serviços públicos.

Cabral afirmou que os mais de 1 milhão de favelados cariocas precisam ser protegidos dos traficantes e também da violência policial. Segundo ele, seu governo deu novas instruções à polícia, que “agora não sai mais matando por aí”. Grupos de direitos humanos acusam a polícia de realizar execuções sumárias — cerca de mil “suspeitos” são mortos por policiais anualmente no Rio.

Questionado sobre as milícias que estão expulsando traficantes de algumas favelas e cobrando taxas de proteção dos moradores, Cabral disse que elas não serão toleradas.

No plano urbanístico, ele defendeu um controle sobre a expansão das favelas e a regularização dos assentamentos clandestinos, com serviços públicos como policiamento, ambulâncias e bombeiros.

Fonte: Reuters