Atendendo a um pedido de representantes de religiões de matriz africana ao governo do Estado, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho, sancionou e publicou no Diário Oficial dessa segunda-feira a lei que institui o Dia de Combate à Intolerância Religiosa, a ser comemorado anualmente no dia 2 de fevereiro.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa já existe, é comemorado no dia 21 de janeiro e enfatiza a importância do diálogo entre as religiões para a busca da paz entre os povos. Em Alagoas, a data fica incluída no calendário civil do Estado para efeitos de comemoração oficial e incentiva a sociedade a discutir o assunto para que possa trazer novos instrumentos de inclusão em todas as instâncias.

De acordo com o secretário-chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, o fato de a lei ser uma resposta a uma reivindicação de representantes de religiões de matriz africana não diminui a importância e a participação de todas as outras religiões no contexto. “O dia 2 de fevereiro é uma data a ser comemorada por todas as religiões em Alagoas, para que, juntas, possam lutar contra o preconceito que ainda existe em nosso meio”.

O professor da Universidade Estadual de Feira de Santana na Bahia, José Geraldo Marques, entende a sanção da lei como uma ação pacificadora, que vai na contramão de tragédias como a do chamado “Dia do Quebra”, que aconteceu em 1912. Uma ação cruel comandada pelo então governo e pela polícia local que mandou quebrar todos os terreiros de xangô da capital.

A ação incluiu não só as estruturas dos lugares, como as pessoas que ali estavam, a ponto de uma mãe de santo ter sua cabeça sangrando a golpes de sabre. “Não é só pioneirismo positivo, esta lei representa, também, a quitação de uma dívida histórica do Estado para com a diversidade religiosa”.

José Geraldo afirmou ainda que esta lei direciona a possibilidade de convivência e respeito mútuo. “Nenhuma religião é superior a outra; todas devem aprender a se relacionar e este é um tipo de relação enriquecedora”, finalizou o professor de Ecologia, especialista em Etnobiologia.

Fonte: Alemtemporal