Em 6 de outubro, a polícia do Estado de Orissa, na Índia, confirmou que maoístas (seguidores de uma corrente chinesa de comunismo) mataram o líder nacionalista hindu Laxmanananda Saraswati.

No dia anterior, o chefe da unidade do Partido Comunista da Índia-Maoísta em Orissa, Sabyasachi Panda, afirmou em ao canal de notícias NDTV 24X7 que sua organização estava por trás do assassinato.

Segundo Sabyasachi, os maoístas mataram o swami porque ele era líder-chave do grupo hindu Vishwa Hindu Parishad (VHP). O VHP, conforme Sabyasachi, usava o dinheiro de comerciantes para sustentar sua ala jovem, o Bajrang Dal.

Sabyasachi também afirmou que o VHP dirige uma campanha contra os cristãos, acusando-os falsamente de converter hindus à força e de matar vacas, animais que hindus consideram ser sagrados.

“Isso nos levou a atacá-lo. Deixamos duas cartas alegando a responsabilidade do assassinato. Mas o governo de Patnaik [Ministro Chefe do Estado de Orissa] omitiu essas cartas. O governo é dirigido pelo BJP [o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata]; eles apóiam o VHP. O governo do Estado fez parecer que os cristãos eram responsáveis pelo ataque. A comunidade cristã em Orissa não tem nenhuma organização maoísta os apoiando aqui”, disse Sabyasachi.

Igreja incriminada

Depois de a polícia do Estado de Orissa confirmar que grupos maoístas teriam de fato assassinado o líder nacionalista hindu Laxmanananda Saraswati, um grupo extremista hindu publicou documentos que relacionam uma igreja ao assassinato.

Os documentos publicados pelo grupo Hindu Jagaran Samukhya (Sociedade para o Reavivamento Hindu, HJS) afirmam que o plano de matar Saraswati no distrito de Kandhamal foi decidido em uma reunião da Igreja Bethikala, em 25 de maio. Dezessete pessoas teriam participado da reunião, na qual líderes religiosos teriam emitido a ordem.

Essa informação foi veiculada pela Press Trust of India em 9 de outubro.

Líderes cristãos da localidade afirmam que tais documentos são falsos. Eles responderam às acusações, dizendo que iriam processar o grupo hindu por difamação.

Confissão sob tortura

Surgiram também relatos de que a polícia de Orissa havia prendido três cristãos tribais em ligação com o assassinato do líder hindu. O jornal The Indian Express relatou que os três confessaram sua participação no crime.

Um representante da Associação Cristã de Ajuda Legal disse à agência de notícias Compass que, conforme fontes, a polícia teria torturado os três, pressionando-os a confessar um crime que não cometeram.

Segundo o Conselho Geral dos Cristãos da Índia, a violência contra os cristãos já tirou a vida de mais de 60 pessoas. Mais de 18 mil foram feridas; 4.500 casas e igrejas foram destruídas na “vingança” da morte do líder hindu. Duas mulheres cristãs, entre elas uma freira, foram estupradas.

A violência, que se espalhou para 14 distritos de Orissa, deixaram mais de 50 mil pessoas desabrigadas.

Fonte: Portas Abertas