A eleição do presidente boliviano, Evo Morales, chegou a preocupar a Igreja Católica do país, que temia perder a liberdade. “Vivemos relações tensas no começo, porque pensávamos que iam suprimir a educação religiosa e nós queremos liberdade tanto para a Igreja Católica como para outros grupos”, disse ao Estado o arcebispo de La Paz, d. Edmundo Luis Abastoflor, em Aparecida.

Segundo ele, a situação mudou após Evo prometer respeitar a religião e a educação religiosa. O arcebispo participa da 5ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, em Aparecida.

Na semana passada, o cardeal Julio Terrazas, arcebispo de Santa Cruz de la Sierra e presidente da Conferência Episcopal da Bolívia, apresentou ao plenário da conferência um relatório sobre a situação política e social da Bolívia no governo de Evo. O cardeal afirmou que “suscita temores a atenção, muito chamativa, de alguns dignitários do continente” em relação ao que acontece na Bolívia. “Ninguém desejaria sair de uma dependência externa para cair em outra”, assinalou.

Terrazas destacou o empenho de Evo na “recuperação da propriedade e comercialização do gás e dos recursos naturais para reafirmar a soberania nacional e obter maiores lucros”. Mas observou que a pobreza e a corrupção não diminuiram. “A simples retórica não melhora a qualidade de vida do povo.”

Segundo Abastoflor, a Igreja, com 1.500 estabelecimentos de ensino na Bolívia, contribui para o bem-estar do povo, pois conhece a realidade socioeconômica do país. O plano pastoral, disse o arcebispo, respeita a cultura e as tradições dos indígenas, que são a maioria da população.

Fonte: Estadão