O Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família, rebateu duramente as críticas da CNBB ao programa e abriu uma crise entre ministério e igreja.

Em nota, o ministério classificou de “profundo desconhecimento” e “preconceito contra as famílias mais pobres” as afirmações do bispo Aldo Pagotto, presidente da Comissão para Serviço de Caridade, Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. E garante, ainda, a visão dada pelo bispo “não reflete a visão da própria CNBB”, que costuma ser parceira do governo em várias ações sociais.

Em entrevista ontem, dom Aldo afirmou que o Bolsa Família é um programa que vicia as famílias e faz com que “se contentem com o mínimo”. O bispo não estava sozinho nas críticas. Apesar de menos contundente, Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB, também fez críticas ao governo federal.

“A afirmação de Dom Pagotto revela também preconceito contra as populações pobres, às quais se destinam o Programa Bolsa Família, que é um direito, garantido em lei, a estas pessoas”, diz a nota do ministério. “É importante não perder de vista que as pessoas, uma vez atendidas em suas necessidades básicas, passam a ter condições de almejar mais, de buscarem uma vida melhor”.

A nota, longa, defende todos os pontos do programa. Acusa dom Aldo de não conhecer o Bolsa Família e, por isso, fazer críticas infundadas. “Ao afirmar que o Programa Bolsa Família ‘é meramente assistencialista e vicia, não levando a lugar algum’, dom Pagotto revela um profundo desconhecimento sobre os mais de 15 estudos realizados em relação ao assunto pelo MDS, em parceria com organismos internacionais; dos vários estudos realizados por acadêmicos, além do farto material que a imprensa tem publicado”, afirma o texto.

Dom Aldo disse ainda que o governo deveria oferecer cursos e atividades para capacitar essa população para que pudessem entrar no mercado de trabalho, e não se contentarem em ficar recebendo recursos do governo. O governo rebate a crítica acusando o bispo, mais uma vez, de desconhecimento. “Ao afirmar que ‘as pessoas que recebem o Bolsa Família não querem mais trabalhar’, dom Aldo desconhece, por exemplo, os dados de pesquisa do IPEA, que mostram que entre os que recebem o benefício, 70% têm trabalho e estão se capacitando para obterem outras oportunidades”, diz o texto.

Tocado por Patrus Ananias, um dos ministros da ala católica fervorosa do governo, o Desenvolvimento Social sempre tentou incluir a igreja na condução das ações sociais, inclusive na participação de conselhos gestores. Até hoje, o Bolsa Família era uma das poucas áreas do governo Luiz Inácio Lula da Silva que tinham escapado ilesa das cada vez mais duras críticas da CNBB ao governo.

Fonte: G1