O Governo do rei Abdullah, da Arábia Saudita, gasta milhões para promover a literatura extremista islâmica que circula pelas mesquitas do Reino Unido e na qual se recomenda queimar, apedrejar ou jogar pela janela os homossexuais e apóstatas do islã.

A denúncia foi publicada no dia 1º de novembro pelo jornal “The Independent” em um relatório por ocasião da visita a Londres do monarca saudita. A visita foi ofuscada por alguns protestos nas ruas contra as violações a direitos humanos no país árabe.

Segundo Yahya Birt, dirigido pelo “The City Circle”, rede de jovens profissionais muçulmanos, o regime saudita vem financiando entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões anualmente desde 1975 para causas religiosas fora de suas fronteiras.

Todo esse dinheiro foi para mais de 1.500 mesquitas, 210 centros islâmicos e dúzias de academias e de madraçais no Reino Unido, afirma Birt.

O regime inundou o mercado de livros islâmicos de literatura wahhabista cujas tiragens podem ser dez vezes maiores que a de qualquer publicação sectária britânica.

Impacto das publicações no mercado

Segundo Birt, isso obrigou muitos editores não-wahhabistas do mundo muçulmano a fecharem e provocou a quebra de inúmeras pequenas livrarias especializadas em literatura islâmica moderada.
Os sauditas reservaram para estrangeiros 85% das vagas na Universidade Islâmica de Medina, que se orgulha de abrigar mais de 5.000 estudantes de 139 países.

Centenas de graduados britânicos voltaram para o Reino Unido, onde se dedicaram a expor a rigorosa visão religiosa do mundo que caracteriza o wahhabismo.

Segundo Mehmood Nawshabnqdi, assessor para questões islâmicas da Polícia da City londrina, desde os atentados terroristas de 11 de Setembro nos EUA, os sauditas foram limitando seu financiamento do fundamentalismo internacional, embora tarde demais.

Os sauditas não se chamam de wahhabistas, explica o “Independent”, já que este é um termo bem mais depreciativo utilizado por seus oponentes. Muitos líderes religiosos sauditas se chamam simplesmente de muçulmanos.

Fonte: Portas Abertas