A Campanha Ateísta em Ônibus, uma iniciativa que tem como objetivo disseminar a mensagem dos “sem Deus” ao público, colocou um anúncio em 800 ônibus do Reino Unido. “Provavelmente não existe um Deus. Agora pare de se preocupar e aproveite sua vida”, afirma o anúncio. A campanha quer colocar mil anúncios no metrô.

O anúncio no ônibus em Londres, na Inglaterra, era razoavelmente moderado, apenas uma passagem da Bíblia e o endereço de um website cristão. Porém quando Ariane Sherine, uma escritora de comédias, foi visitar o site, em junho passado, ficou chocada em saber que ela e seus amigos ateus iriam diretamente para o inferno, “passar toda a eternidade em tormento”.

Depois do episódio, Sherine pensou que poderia colocar mensagens ateístas em ônibus, para corrigir as mensagens religiosas. Assim foi plantada a semente da Campanha Ateísta em Ônibus, uma iniciativa que tem como objetivo disseminar a mensagem dos “sem Deus” ao público, diz o jornal britânico “London Journal”, citado pelo americano “The New York Times”.

Quando os organizadores anunciaram a campanha –apoiada pelo cientista e autor de livros Richard Dawkins, pelo filósofo A. C. Grayling e a Associação Humanista Britânica–, queriam arrecadar US$ 8.000 mil. Em quatro dias, porém, foram arrecadados US$ 150 mil. Desde então, a campanha já recebeu US$ 200 mil.

Na última quarta-feira, a campanha colocou um anúncio em 800 ônibus do Reino Unido. “Provavelmente não existe um Deus”, afirma o anúncio. “Agora pare de se preocupar e aproveite sua vida”.

Um horror

Em frente aos ônibus, no bairro londrino de Kensington, pedestres foram surpresos pela mensagem incomum. “Acho que é horroroso”, disse Sandra Lafaire, 76, uma turista americana, que disse acreditar em Deus e ainda assim aproveitar a vida, “muito obrigada”. “Todo mundo tem direito a uma opinião, mas eu não gosto que ela esteja na minha cara”.

Sarah Hall, uma visitante da Austrália, disse, no entanto, que estava feliz em ver um exemplo tão forte de liberdade de expressão.

Políticos ateus

Embora a rainha Elizabeth seja a líder da Igreja no Reino Unido, o número de frequentadores de igrejas está cada vez menor, e os políticos estão cada vez mais dispostos a afirmarem que são ateus. Em 2003, quando um jornalista perguntou a Tony Blair, então o primeiro-ministro, sobre religião, seu porta-voz interferiu e disse: “We don’t do God” (“Não falamos de Deus”, em tradução livre). Após deixar o cargo, Blair se tornou católico.

Mais recentemente, Nick Clegg, membro do Parlamento e líder dos democratas liberais, disse que era ateu. Posteriormente ele disse ser agnóstico –grupo que não acredita em Deus, mas admite que Ele pode existir.

No metrô

Na próxima semana, a campanha ateísta quer colocar mil anúncios no metrô, com citações entusiásticas de personalidades renomadas como Emily Dickinson, Albert Einstein, Douglas Adams e Katharine Hepburn.

Um elemento interessante é a palavra “provavelmente”, que seria mais adequada para uma campanha agnóstica do que ateísta. Dawkins, por exemplo, argumentou que a palavra não deveria aparecer. Mas a dúvida foi necessária para cumprir exigências publicitárias, disse Tim Bleakley, diretor de vendas e marketing da CBS Outdoor em Londres, que cuida de anúncios para sistemas de ônibus.

“Nós temos organizações religiosas que se promovem”, declarou Bleakley. “Se alguém não acredita em religião, porque não publicar um anúncio que promova a visão oposta? Citando o ditado: nós não somos Deus para julgar.”

EUA

Inspirada pela campanha londrina, a Associação Humanista Americana também colocou anúncios nos ônibus de Washington, em novembro passado, mas com a mensagem mais amena. “Porque acreditar em Deus?”, diz o anúncio, sobre a foto de um homem vestido de Papai Noel, segundo o jornal americano “The New York Times”.

Fonte: Folha Online