Grupos cristãos pró-Israel no Estado judeu e nos EUA manifestaram apoio à ofensiva que o Exército israelense realiza há quatro dias no Líbano, informou nesta sexta-feira a edição eletrônica do jornal “Haaretz”

“Esse (a morte e o seqüestro de militares israelenses pelo Hezbollah) foi certamente um ataque não-provocado e Israel tem o direito de ir lá e bombardeá-los”, comentou Ray Sanders, diretor-executivo da instituição Cristãos Amigos de Israel. “Precisamos deixar bem claro que o que o Hezbollah fez foi um ato de injustiça, e Israel tem todo o direito de se defender”, emendou.

Earl Cox, âncora de uma rádio evangélica de Jerusalém, chamou as ações do Hezbollah de “bárbaras” e pediu que a ONU se manifeste em favor de Israel.

Foguetes atingem a cidade israelense de Tiberíades

A cidade israelense de Tiberíades, ao nordeste do país, foi atingida neste sábado pela primeira vez por foguetes disparados a partir do Líbano. O ataque deixou vários feridos, informaram fontes militares.

Pelo menos três foguetes caíram na cidade, um dos locais sagrados da tradição cristã.

Um dos projéteis caiu perto de um hotel, segundo as mesmas fontes, que não anunciaram o número de feridos nem sua gravidade.

Os dirigentes da milícia libanesa do Hezbollah prometeram realizar uma “guerra aberta” contra Israel, que executa uma ampla ofensiva contra o Líbano desde quarta-feira.

Até o momento, os foguetes disparados pelo Hezbollah contra Israel atingiram pontos situados a 40 km da fronteira libanesa. Três deles caíram na cidade de Haifa, a terceira maior de Israel.

Dez civis mortos em bombardeio israelense no Líbano

Pelo menos dez civis, em sua maioria crianças, que fugiam de um vilarejo no sul do Líbano por ordem do Exército israelense, morreram neste sábado queimados por mísseis israelenses disparados contra seu comboio, informou uma fonte médica.

Outras seis pessoas com queimaduras foram internadas no hospital do governo de Tiro.

Cem obuses caíram neste sábado sobre os vilarejos fronteiriços, situados ao longo da linha azul traçada pela ONU como fronteira entre Israel e Líbano

Papa pede “que todos parem com a violência” no Oriente Médio

O Papa Bento XVI pediu ontem na localidade alpina italiana de Les Combes, em Valle d’Aosta, que “todos parem com a violência” no Oriente Médio.

“Rezemos e esperemos que o Senhor ajude, especialmente que todos parem a violência”, disse o Pontífice aos jornalistas que o acompanham nestes dias de descanso em Valle d’Aosta, ao noroeste da Itália.

O Pontífice lembrou que ontem a Santa Sé já emitiu declarações sobre o assunto, em referência às feitas pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Angelo Sodano, que “lamentou” o ataque israelense ao Líbano.

Sodano ressaltou que “o direito à defesa de um Estado não exime do respeito às normas do direito internacional”, e disse que teme que a situação no Oriente Médio “acabe em um conflito de repercussões internacionais”.

“As notícias que chegam do Oriente Médio são muito preocupantes.

O Papa Bento XVI e todos seus colaboradores acompanham com grande atenção os últimos dramáticos episódios que correm o risco de acabar em um conflito com repercussões internacionais”, afirmou Sodano.

O secretário de Estado vaticano acrescentou que, “como no passado”, a Santa Sé condena “tanto os ataques terroristas de um como as represálias militares dos outros”.

A Santa Sé, disse Sodano, lamenta o ataque ao Líbano, “uma nação livre e soberana”, e expressa “sua proximidade” àqueles povos “que já sofreram já na defesa de sua própria independência”.

“Mais uma vez, é evidente que o único caminho digno de nossa civilização é o do diálogo sincero entre as partes”, afirmou o cardeal.

Entenda a nova crise entre Israel e Líbano

O Oriente Médio mergulhou em uma nova crise. O jornalista da BBC Tarik Kafala explica os principais pontos da crise.

Como começou a mais recente crise?

O ataque do grupo xiita libanês Hezbollah em Israel – em que oito soldados israelenses foram mortos, e dois, capturados – foi encarado como uma ação surpreendente e provocativa.

Alguns dizem que o objetivo do Hezbollah era testar o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que é inexperiente em crises militares.

O líder do grupo libanês, Hassan Nassrallah, disse que os soldados foram capturados como forma de pressionar o governo de Israel a soltar milhares de prisioneiros palestinos.

A ação é uma manifestação clara de solidariedade aos militantes palestinos de Gaza que mantêm capturado um soldado israelense desde o dia 25 de junho.

Como Israel reagiu?

Israel está combatendo em duas frentes. Autoridades israelenses consideraram a invasão do Hezbollah como um “ato de guerra” e responderam com bombardeios aéreos, um ataque terrestre e um bloqueio marítimo, ameaçando lançar operações que “farão o tempo voltar 20 anos no Líbano”.

O objetivo parece ser, como em Gaza, pressionar o governo e a população do Líbano. O número de civis libaneses mortos é alto, com severos danos na infra-estrutura das cidades. Estradas, usinas de energia elétrica e o aeroporto internacional foram atingidos. Os ataques de Israel que não visam instalações do Hezbollah são, no mínimo, uma forma de punir a população.

A resposta de Israel provocou críticas internacionais, que não devem ser ouvidas pelo governo. O Hezbollah continua lançando foguetes contra Israel. Haifa, a terceira maior cidade do país, já foi atingida.

O que o governo libanês pode fazer?

Cidadãos comuns do Líbano estão entre as principais vítimas da crise. O país está lidando com uma ação militar israelense pela primeira vez desde 2000, quando Israel encerrou um período de 22 anos de ocupação no sul.

Israel deixou claro que culpa o governo libanês pela captura de soldados pelo Hezbollah. Muitos analistas acham que essa avaliação é injusta.

Apesar de o Hezbollah atuar em território libanês e possuir dois ministérios no governo, as autoridades libanesas têm pouca influência sobre o grupo radical. São tropas do Hezbollah, e não do governo, que estão no sul do país.

O grupo libanês também é muito respeitado e popular no país, devido às suas atividades políticas, serviços sociais e por seu histórico de lutas contra Israel.

No entanto, a maioria dos libaneses acredita que a captura de dois soldados israelenses é uma atitude irresponsável. Eles estão descontentes, pois o país parece estar sendo arrastado para uma guerra novamente. Mesmo assim, é pouco provável que esse sentimento se transforme em raiva contra o Hezbollah.

Há alguma saída para a crise?

Autoridades israelenses insistiram que não haverá negociações diretas com o Hezbollah ou com o grupo palestino Hamas para troca de prisioneiros. No passado, Israel negociou com o Hezbollah a liberação de centenas de prisioneiros, mas agora o governo diz que se trata de outra situação e propõe novas regras.

Tanto em Gaza como no Líbano, o exército israelense parece estar aproveitando a crise para danificar a estrutura do Hamas e do Hezbollah. Agora, todos os lados estão com discursos duros, mas é difícil imaginar como Israel vai conseguir retomar seus soldados sem um cessar-fogo seguido de negociações, que provavelmente incluirão troca de prisioneiros.

O conflito vai se espalhar?

A crise ainda não alcançou o status de conflito regional. Muito ainda depende da vontade de Israel de estender as operações militares até a Síria e o Irã, países que apóiam financeiramente o Hezbollah. Autoridades israelenses já culparam Damasco e Teerã pela crise atual. O Irã e a Síria são os Estados que mais podem influenciar o grupo libanês.

Inevitavelmente, haverá, em algum ponto, a necessidade de os Estados Unidos segurarem os impulsos de Israel e pressionarem todos os envolvidos para uma negociação de cessar-fogo.

Analistas indicaram que a “guerra contra o terrorismo” de Washington limita muito a sua influência sobre a Síria, o Líbano e o Hezbollah. A questão do desarmamento do Hezbollah, como foi exigida pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, está descartada por ora.

Fonte: Globo Online AFP e EFE