Vários cientistas estão prontos para destruir as alegações de Cameron e Jacobovici. Como já era esperado, grupos cristãos iniciaram os ataques contra o Discovery Channel pela exibição do documentário “O Sepulcro Esquecido de Jesus”.

O programa, produzido por James Cameron e dirigido por Simcha Jacobovici, será exibido nos Estados Unidos no próximo domingo e aqui no Brasil no dia 18 de março.

Para alguns cristãos, a informação de que os ossos de Jesus foram encontrados é contrária ao estabelecido pela Bíblia, de que Cristo ressuscitou de seu túmulo e ascendeu aos céus. Para outros, a ascensão se deu de forma espiritual, não havendo, assim, qualquer oposição entre o narrado na Bíblia e a possibilidade de um achado arqueológico.

Randy Thomasson, presidente da Campanha para as Crianças e as Famílias, divulgou um pronunciamento oficial dizendo que a ressurreição de Jesus é um fundamento imutável no qual ele acredita. Em sua opinião, se Jesus não ressuscitou, o cristianismo é inútil. Bill Donohue, presidente da Liga Católica para a Religião e Direitos Civis, reclamou da transformação da Quaresma na época do ano em que algum autor ou programa de TV duvida da divindade de Jesus.

O Discovery Channel, por sua vez, divulgou uma declaração em que diz que se os restos mortais de Jesus foram encontrados, isso contradiz a ascensão física aos céus, mas não a idéia de uma ascensão espiritual. Em uma coletiva promovida pelo canal, o professor de língua e literatura do Novo Testamento do Seminário Teológico de Princeton, Dr. James Charlesworth, diz que os achados poderiam fundamentar ainda mais a doutrina cristã, provando que Jesus era humano e divino.

A presidente do Discovery Channel, Jane Root, informou que a emissora mantém uma política de total neutralidade editorial ao apresentar evidências científicas, abrindo espaço para que os espectadores julguem o mérito das declarações mostradas no programa e tomem suas próprias decisões. O canal já exibiu outros programas sobre o assunto, incluindo o documentário sobre o suposto ossuário de Tiago, irmão de Jesus, além de especiais sobre O “Código Da Vinci” que examinaram as alegações usadas no enredo de que Jesus teria sido casado com Maria Madalena e gerado um filho.

Além dos grupos cristãos, que acusam a imprensa de respeitar o islamismo por medo de terroristas e atacar o cristianismo indiscriminadamente, vários cientistas estão prontos para destruir as alegações de Cameron e Jacobovici. A linha de frente do ataque pertence a Amos Kloner, o arqueólogo israelense que descobriu os ossuários em 1980 e que discorda da teoria de que a tumba pertencia à família de Jesus. Na opinião de Kloner, a idéia é apenas um golpe de marketing.

Outro ataque ao programa produzido por Cameron vem de Ben Witherington III, professor de Interpretação do Novo Testamento no Seminário Teológico Asbury. Witherington aponta problemas na presença de James Tabor como um dos especialistas convidados por Cameron para apoiar as alegações do programa. Tabor é autor do livro “A Dinastia de Jesus”, no qual diz que Jesus não era filho de José e nem filho de Deus, mas o filho ilegítimo de um soldado romano chamado Panthera. Witherington questiona porque o especialista agora decidiu concordar que o ossuário de Jesus, filho de José, pertenceria ao homem cuja vida é descrita no Novo Testamento.

A discussão promete aumentar no final de semana e nos dias após a exibição do documentário, com outros especialistas prometendo divulgar refutações às alegações de Cameron e Jacobovici.

Fonte: Omelete