Fernando Haddad se reúne em média duas vezes por semana com religiosos da periferia para reduzir resistência. Encontros são omitidos na agenda pública do pré-candidato; ele diz que polêmica é ‘tema lateral’ nas conversas

Na mira de líderes evangélicos desde a polêmica do chamado “kit anti-homofobia” do Ministério da Educação, o pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tem organizado reuniões com pastores para tentar reduzir resistências e se aproximar do setor.

Os encontros ocorrem em média duas vezes por semana, em visitas à periferia, e não são divulgados em sua agenda pública.

Dirigentes da campanha temem que o material contra a discriminação de homossexuais, produzido quando o petista era ministro, vire arma eleitoral de adversários.

Nesta segunda-feira, em Guaianases (zona leste), cerca de 40 pastores ouviram Haddad dizer que não conhecia o teor do “kit gay”, que teve a distribuição vetada pela presidente Dilma Rousseff.

“Ele disse que entendeu que aquilo não era adequado e mandou suspender a distribuição dos kits”, contou o pastor Marçal Borges, da igreja A Palavra de Deus, que é petista e cedeu seu templo para uma reunião política.

“Acredito nele, mas a verdade é que a explicação é muito vaga e não convence. A maioria dos evangélicos só se lembra dele como o ministro que propôs o kit gay”, disse.

A assessoria de Haddad afirma que as reuniões não são divulgadas para que ele converse com mais liberdade com os pastores, e que isso também ocorre com sindicalistas e empresários.

O petista disse que a polêmica do tema do kit é um “tema lateral” nas reuniões. “Isso apareceu muito pouco, não é a tônica”, afirmou.

“Meu interesse é estabelecer parcerias para atender à população. É importante que os líderes evangélicos evitem a pecha da homofobia e cultivem valores de tolerância e combate ao preconceito.”

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]