O deposto Governo do Hamas proibiu ontem que membros do Fatah participem das rezas de sextas-feiras nas áreas públicas e abertas da Faixa de Gaza.

Esta medida foi tomada após a realização de confrontos durante orações de membros do Fatah em áreas públicas.

O Governo de Ismail Haniyeh, tornado ilegal em junho após a tomada de Gaza pelo Hamas, afirma que estas são “rezas políticas” disfarçadas de pretensões religiosas.

Na última sexta, após a reza do meio-dia, partidários do Fatah e forças de segurança do Hamas protagonizaram confrontos que acabaram com 20 feridos e dezenas de detidos.

Um dia depois, o Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderado pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, convocou os palestinos a rezarem em público tanto em Gaza como na Cisjordânia.

Em um comunicado, a Força Executiva do Hamas afirmou que estas rezas, realizadas do lado de fora das mesquitas, eram uma forma de reunião após a qual se “viola a lei, se lançam pedras e granadas artesanais e se atacam propriedades públicas”.

A proibição foi aprovada hoje na reunião semanal do Governo do Hamas, que controla a Faixa de Gaza apesar de Abbas e de a comunidade internacional não reconhecerem suas decisões.

“Não proibimos as rezas, mas as orações convocadas pelo Fatah que violam os objetivos dos fiéis e que foram usadas para gerar caos, distúrbios e confrontos”, disse hoje o porta-voz do Ministério do Interior do Governo do Hamas, Ihab al-Ghusein, para a imprensa.

O Executivo de Haniyeh acrescentou que fará “o possível para restaurar a ordem e a disciplina na Faixa de Gaza”.

Ontem, o líder da união de intelectuais religiosos palestinos na Faixa, Marwan Abu Ras, lançou uma fatwa (ordem religiosa) na qual declarava “pecado” a participação nestas rezas públicas, informa a agência palestina “Ma’an”.

Segundo Abu Ras, alguns dos participantes das orações públicas da última sexta fumavam, usavam correntes de ouro ou vendiam comida e bebida, o que indica que seu “objetivo ia absolutamente além do culto”.

Fonte: EFE