Os cristãos da Faixa de Gaza ainda aguardam para saber o que significa de fato, para eles, a tomada de poder pelo Hamas, na semana passada.

“Durante o fim de semana, cruzes, Bíblias e imagens de Jesus foram destruídas em um ataque a uma escola cristã na Faixa de Gaza”, segundo Julie Stahl, chefe do escritório em Jerusalém da Cybercast News Service (CNS).

“A questão agora é se a violência contra os cristãos vai ser disseminada por militantes que têm como objetivo o estabelecimento de um Estado islâmico”, disse ela.

“Segundo o monsenhor Manual Musallam, padre da igreja latina, a violência na região contra os cristãos não é um ato oficial, o problema é a tensão causada pelas diferenças entre muçulmanos e cristãos”, contou.

“Os muçulmanos e cristãos são todos palestinos”, disse o monsenhor.

Julie contou que oficiais do Hamas e outros muçulmanos se solidarizaram após o ataque e se comprometeram a reparar os danos.

O primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, condenou o ataque e o presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, condenou o Hamas “pelo ataque bárbaro”.

A comunidade cristã em Gaza não chega a 2 mil pessoas dentre uma população de milhares de palestinos. E essa não é a primeira vez que a comunidade cristã é alvejada.

Em abril, um ataque à bomba destruiu a Sociedade Bíblica de Gaza. O mesmo grupo atacou cybercafés e lojas de música em repúdio à cultura ocidental.

O ataque foi atribuído a um pequeno grupo islâmico e o Hamas chegou a oferecer proteção aos cristãos.

Entre o fogo cruzado

Julie Stahl disse que ela e o pastor Hanna Massad, da Igreja batista de Gaza, estão atentos. “Estamos muito preocupados”, disse ele. “A maioria das pessoas está em choque e aguardando para ver o que vai acontecer”.

“No domingo retrasado, quando Hamas e Fatah começaram a lutar, o culto dominical com cerca de 150 membros foi interrompido por causa de um forte tiroteio nas imediações”, disse o pastor.

Um membro da igreja quase foi ferido por disparos de metralhadora em seu apartamento. A casa de um outro cristão foi alvo de uma explosão.

“A polícia, associada ao Fatah, tomou conta do telhado da igreja para observação porque ela fica perto da delegacia”, disse ele.

“Quando a igreja se recusou a deixar que os oficiais entrassem, eles quebraram tudo e invadiram”. Computadores e equipamentos de som foram roubados.

“O Hamas não se opõe ao culto cristão”, disse o pastor Hanna. Mesmo assim ele admite que não há plena liberdade religiosa, em virtude da guerra civil.

Fonte: Portas Abertas