O rabino Henry Sobel afirmou nesta segunda-feira que o padre Júlio Lancelotti, que denunciou ter sofrido uma extorsão de cerca de R$ 50 mil, é “vítima de intolerância e mentira”.

“Manifestei a solidariedade da comunidade judaica na última vez em que nos falamos, na semana passada, e ao invés de receber apoio, ele me deu apoio”, disse Sobel.

O apoio a que Sobel se refere tratava do episódio em que ele foi preso acusado do furto de quatro gravatas de grife de lojas da cidade de Palm Beach, no estado americano da Flórida, em março deste ano. Na opinião dele, Lancelotti não errou ao permitir que a ajuda que prestava ao ex-interno da Febem Anderson Marcos Batista, 25 anos, se tornasse extorsão. “Ele não errou em absolutamente nada. Fez aquilo que achava importante fazer”, afirmou.

O inquérito policial que investiga a extorsão contém gravações das conversas do padre Lancelotti com Batista e com a mulher dele, que teria usado o filho de três anos para ameaçar o padre com denúncias sobre pedofilia. Sobel afirma conhecer Lancelotti desde que chegou ao Brasil, em 1970, e diz que ele é “um homem nobre, católico devoto, brasileiro correto e um universalista exemplar”.

Sobel irá aos Estados Unidos pela primeira vez desde a sua prisão em dezembro, para um congresso de líderes judaicos em Nova York. O objetivo do encontro é discutir o anti-semitismo e outras manifestações de preconceito. “Estou ansioso pela importância da reunião, e não pela viagem em si”, disse.

O processo a que ele responde na Justiça de Palm Beach está resolvido, de acordo com Sobel. “Está resolvido, graças a Deus. Cumpri aquilo que havia prometido, 100 horas de trabalho junto a instituições beneficentes”, explicou.

Apesar de afirmar que o episódio “nunca será superado”, Sobel disse que está se sentindo bem física e psicologicamente. Ele agradeceu aos médicos e enfermeiros que o auxiliaram durante os nove dias em que ficou internado na seqüência da divulgação de sua prisão, em março, e na posterior recuperação.

Sobel ressaltou que a decisão de deixar a presidência do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP) foi “exclusivamente” dele. “O que estou largando é apenas a parte administrativa, burocrática. Minhas atividades religiosas vão continuar, cada vez mais”, afirmou.

Henry Sobel, afirmou em entrevista ao Jornal do Terra, que tentará, em uma autobiografia a ser lançada em março do ano que vem, explicar o episódio do furto de quatro gravatas em Palm Beach, no estado americano da Flórida.

“Eu estava muito, muito estressado quando saí do Brasil. Não estou justificando, estou tentando juntar as peças. Estou tentando recriar uma situação plausível para eu mesmo aceitar melhor. Eu estava sob o efeito de alguns medicamentos, alguns dos quais eu tomava por própria conta”, disse o rabino sobre o episódio.

Sobel pretende se dedicar a um Instituto que irá promover a cultura judaica e trabalha em sua autobiografia. Nela, o rabino pretende falar ainda sobre sua vida particular, a ditadura militar, a transição para a democracia, o diálogo entre as religiões e sobre seu relacionamento pessoal com o papa João Paulo II.

Polícia investigará a ONG de padre Júlio Lancellotti

A ONG Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, do padre Júlio Lancelotti será investigada pela Polícia Civil. Os agentes pretendem verificar o contrato entre a entidade e a prefeitura de São Paulo. A intenção é apurar a acusação de que parte do dinheiro dado pelo religioso a um ex-interno que o extorquia era da ONG.

Lancelotti relatou que Anderson Batista estava lhe fazendo ameaças e tinha solicitado cerca de R$ 50 mil. O padre alega que pagou o dinheiro com suas economias pessoais e ajuda de amigos.

Fonte: Terra