Um homem que se identificou como pastor, um adolescente e um rapaz de 18 anos foram presos por tráfico de drogas no fim da tarde desta quarta-feira no bairro Liberdade, em Cariacica, a 17 quilômetros de Vitória.

A ação foi na casa do pastor Marcelo Santyos Rocha, que informou à polícia atuar na Igreja Pentecostal Rocha de Fogo. No local a polícia encontrou armas, drogas e materiais utilizados na igreja, inclusive para o recolhimento de dízimo.

O delegado Jordano Bruno Leite, da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten), informou que o suposto pastor Marcelo Santyos é bastante conhecido na região. Ele teria conhecido o menor há quatro anos e desde então passaram a morar na mesma casa. O adolescente já tem oito passagens pela polícia.

– Esse menor de idade estava detido quando o pastor o conheceu e fez o convite para que o menino fosse morar com ele quando estivesse solto. Desde então eles moram juntos – explicou o delegado.

O delegado informou que a operação partiu de uma denúncia anônima. Quando os policiais chegaram à casa, estavam no local o pastor, o menor e mais um homem, identificado como Gutenberg Teodoro de Oliveira. As investigações apontam ainda que o trio utilizava uma espingarda calibre 12 para aterrorizar as pessoas na região.

Na casa a polícia encontrou duas armas de fogo com munição, materiais utilizados na igreja e 100 unidades de droga, entre cocaína, crack e maconha.

O presidente da Associação dos Pastores da Grande Vitória, pastor Enoque de Castro Pereira, informou que é difícil identificar em grupos e igrejas novos quem é pastor ou não. Ele explicou que não há como identificar nessas ramificações recentes da igreja, se a pessoa tem capacidade de trabalhar como líder religioso.

O presidente da Associação dos Pastores informou ainda que nunca ouviu falar sobre a Igreja Pentecostal Rocha de Fogo e não conhece o pastor Marcelo Santyos Rocha.

O adolescente de 17 anos, uma das pessoas mais procuradas para a venda de drogas no bairro Liberdade, informou à polícia que tinha tanta influência na região, que os outros traficantes tinham medo dele. Quando o menor queria tomar uma boca de fumo, ele dava um prazo de 24 horas para que os criminosos fossem embora do local.

– Na conversa que tivemos com ele, percebemos que ele é influente e respeitado no local. Ele fala com orgulho sobre as ações criminosas – disse o delegado.

Fonte: O Globo online