Ali AgcaMehmet Ali Agca, o turco que atirou contra o papa João Paulo II na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 1981, escreveu a Bento XVI aconselhando-o a não ir à Turquia, em novembro, como está planejado.

Segundo Agca, o pontífice corre o risco de ser morto em conseqüência da polêmica provocada por suas referências ao Islã e à violência.

“Sua vida está em perigo, não venha à Turquia”, advertiu Agca, depois de observar que escreve ao papa como alguém que conhece bem a questão. Depois de ter passado 19 anos na cadeia na Itália, ele agora está preso na Turquia, onde cumpre pena por assassinato cometido antes do atentado contra João Paulo II.

Publicada pelo jornal italiano La Repubblica e citada pelo The Times, de Londres, a carta do homem que tentou assassinar João Paulo II foi interpretada em Roma como uma advertência amiga a Bento XVI. Agca, que recebeu na cela a visita de João Paulo II, dois anos após o atentado, repudiou mais tarde o seu crime.

A tentativa de assassinato, 25 anos atrás, mostra a vulnerabilidade do esquema de segurança, por mais rigorosas que sejam as medidas tomadas pela polícia para proteger a vida do papa. Agca atirou em João Paulo II enquanto ele desfilava em carro aberto entre a multidão de 10 mil peregrinos que o aplaudiam na Praça de São Pedro, após audiência geral.

Agca disparou três tiros com uma pistola Browning de 9 milímetros. Estava a sete metros de distância e, conforme declarou na época, teve dificuldade em acertar o alvo, porque o papa carregava uma criança no colo. João Paulo II, que foi ferido no estômago, no cotovelo e na mão esquerda, ficou com a saúde abalada pelo resto da vida.

Em 1981, o cardeal Joseph Ratzinger, atualmente Bento XVI, era arcebispo de Munique, na Alemanha. Em novembro do mesmo ano, foi nomeado prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Mudou-se para Roma e renunciou, em 1982, ao governo da arquidiocese.

Papa destaca profundo respeito pelos muçulmanos

O Papa Bento XVI manifestou nesta quarta-feira seu “profundo respeito pelas grandes religiões e em particular pelos muçulmanos”, durante a audiência geral de quarta-feira no Vaticano.

O Sumo Pontífice expressou o respeito pelos muçulmanos “que adoram o Deus único”, oito dias depois de um discurso sobre o Islã que provocou indignação no mundo muçulmano.

Bento XVI também lamentou que suas opiniões, expressadas durante uma viagem na semana passada a Ratisbona (Alemanha), tenham sido “infelizmente mal interpretadas”.

“Espero que minhas palavras de Ratisbona possam se transformar em um estímulo para o diálogo entre as religiões”, acrescentou o Papa.

Fonte: Estadão e AFP