“O senhor é meu pastor e ele me aceita como gay”. Esta era a frase que estava num dos banners empunhados por integrantes do Movimento de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (GLBTTT) no Estado, durante manifesto realizado na tarde de ontem, no calçadão da João Pessoa, contra religiosos das igrejas Católica e Protestante.

O pequeno grupo estava sendo liderado por Wellington Andrade, presidente de honra do movimento em Sergipe e 2° mais antigo defensor dos direitos dos homossexuais no Brasil. Os participantes saíram em caminhada pelo calçadão, distribuíram panfletos explicando o porquê da revolta contra religiosos, e finalizaram o protesto na Praça Fausto Cardoso, onde voltaram a expor os motivos da revolta.

“Sou gay, nasci assim e vou morrer assim. Sou homem, gosto de homem, mas também sou trabalhador, pago impostos e quero ser respeitado enquanto cidadão. Não admito que religiosos que não olham para dentro dos seus templos e por isso, não enxergam que neles também existem gays e lésbicas, inclusive consagrados, iniciem uma cruzada contra quem é assumido, que incitem a homofobia contra quem decidiu sair do armário”, desabafou Wellington. As declarações e desabafos públicos provocaram reações contrárias em quem passava pelo local. Sorrisos e palavras de “retaliação” eram visíveis em algumas pessoas, outras, aplaudiam a iniciativa.

“Têm que protestar sim, que exigir seus direitos e um deles é o respeito enquanto cidadãos. São iguais a todos os outros e ninguém pode dizer o que devem ou não fazer. Não podem ser perseguidos pelas escolhas que fizeram, afinal de contas, Deus nos deu o livre arbítrio”, comentaram as estudantes Cristiane Santos Carvalho e Jandira Santos Silva. Para Jéssika Taylor, presidente da Associação de Travestis Unidas pela Luta pela Cidadania (Unidas), o movimento tem sim que cobrar o respeito e aceitação da população, afinal de contas, o preconceito ainda é grande e um dos responsáveis para que muitas portas se fechem para os homossexuais e travestis.

“Os travestis são inteligentes e grande parte formada, têm nível superior, mas não consegue emprego, porque quando as pessoas nos vêem com seios e cabelos grandes fecham as portas para nós. Essa rejeição é ainda maior nos templos religiosos. Sou católica, mas pouco freqüento a igreja, pois o padre e as pessoas olham a mim e ao meu companheiro de maneira atravessada”, comentou Jéssika. Para Wellington Andrade, o ato público foi muito importante, mesmo contendo poucas pessoas. Disse ainda saber que iria “chocar” a sociedade sergipana, algo que para ele é necessário.

“Eles não se incomodaram em nos afrontar, em nos causar choque quando expuseram suas idéias para os órgãos de imprensa. Os religiosos não têm que nos perseguir ou querer nos catequizar, porque não fazem isso com os garotos de programa, que saem com gays e travestis por dinheiro e depois assassinam. Eles não estão fazendo o que pregam que é amor aos seres humanos”, alfinetou Wellington Andrade.

Fonte: Jornal da Cidade