O jornal francês Le Figaro identificou na quarta-feira como sendo Marie-Simon-Pierre, de 45 anos, a freira que teria sido curada do mal de Parkinson depois de rezar para o falecido papa João Paulo 2°.

Outro jornal, o católico La Croix, informou que o bispo de Aix-en-Provence e Arles, a diocese onde ela vivia na época do suposto milagre, no sul da França, vai anunciar oficialmente o nome dela no domingo.

Ambos os jornais divulgaram a notícia em seus sites, antecipando-se às edições de quinta-feira.

O caso dela é importante para a canonização de João Paulo 2°. Caso a Igreja reconheça que a freira se curou por milagre após rezar para ele, o falecido pontífice deve ser beatificado — etapa anterior à transformação em santo, que necessita de uma segunda cura que a medicina seja incapaz de explicar.

A freira, que contraiu o mal de Parkinson em 2001, havia escrito anonimamente sobre sua doença em uma revista da Igreja italiana. “Eu perdia peso a cada dia. Não podia mais escrever e, se tentasse, era difícil de decifrar. Não conseguia mais dirigir, porque minha perna esquerda ficou rígida”, escreveu ela.

Ela contou que, junto com suas colegas, rezou para o falecido papa por sua recuperação. Em 2 de junho de 2005, exatamente dois meses após a morte de João Paulo 2°, ela sentiu uma súbita necessidade de pegar uma caneta. “Minha caligrafia estava completamente legível, meu corpo não estava mais dolorido, não estava mais rígido. Senti uma profunda sensação de paz”, relatou.

Seu neurologista e outros médicos e psicólogos não conseguiram explicar a cura.

A freira será a convidada de honra na cerimônia da semana que vem em que a diocese de Roma entregará ao Vaticano dezenas de milhares de páginas de documentos propondo a beatificação de João Paulo 2°.

Monsenhor Slawomir Oder, o “advogado” do ex-papa no processo, contou na terça-feira a história da freira a jornalistas, mas não a identificou. “A freira estará nas cerimônias em Roma e no Vaticano em 2 de abril, mas assim como milhares de outras”, afirmou.

O Figaro disse que a irmã Marie-Simon-Pierre trabalhava em uma maternidade da sua ordem religiosa em Puyricard, perto de Aix-en-Provence, quando teve a súbita cura. No final de 2006, ela foi transferida para outra maternidade, em Paris.

Fonte: Reuters