A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) emitiu nota solidarizando-se com o bispo católico dom Antônio Possamai, da Diocese de Ji-Paraná, Rondônia, com a pastora Jandira Keppi e o pastor Walter Sass, do Sínodo da Amazônia da IECLB, que vêm sendo ameaçados e processados pelo governador do Estado por terem manifestado descontentamento pela corrupção verificada em áreas do governo.

Tal situação “é uma agressão à livre expressão de opinião e, portanto, ao estado de direito em nosso país”. Assinada pelo pastor presidente Walter Altmann, a nota da IECLB destaca que pressões para fazer calar a voz de defensores dos direitos humanos não têm sido casos isolados e episódicos no país. A igreja lembra a irmã Dorothy Stang, que, mesmo informadas as autoridades que ela corria risco de morte, não recebeu proteção especial.

“Não queremos que algo semelhante aconteça em Rondônia com outras pessoas que têm um compromisso com a vida e a verdade”, destaca a IECLB. “É preciso dar um basta às intimidações de pessoas e instituições que denunciam a corrupção”, pede a nota dos luteranos, que têm a chancela dos pastores e pastoras sinodais e dos presidentes dos Conselhos Sinodais de todas as regiões do país.

Em agosto, a Diocese de Ji-Paraná, o Sinodo da Amazônia da IECLB, o Projeto Padre Ezequiel, o Fórum Transparência Ji-Paraná, a Cáritas Diocesana e o Conselho de Leigos divulgaram cartaz com a foto de 23 deputados estaduais que estão sendo investigados pela Polícia Federal por corrupção e desvio de recursos públicos.

Também o governador da Rondônia e candidato à reeleição, Ivo Cassol, aparece no cartaz. Ele está sendo processado no Superior Tribunal de Justiça sob a acusação de formação de quadrilha, desvio de dinheiro público, extração e contrabando de diamantes.

“Vá em frente, dom Antônio Possamai! Estamos nessa luta contigo!”- encorajam estudantes, professores e funcionários dos cursos de Física, Matemática e Pedagogia da Universidade Federal de Ronônia (UNIR), Campus de Ji-Paraná. “Isso não é questão de religiosidade… É cidadania”, arrolam os acadêmicos, lamentando que a política do medo e a mordaça ressurjam, “tentando calar os que assumem seu compromisso cidadão”.

Fonte: ALC