O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, advertiu hoje que seu país revisará suas relações com o Vaticano se o Papa Bento XVI não se desculpar por ter “prejudicado o Islã”.

Saleh, que pediu aos demais países árabes que tomem uma decisão similar, fez tal declaração em discurso pronunciado no sul do Iêmen durante sua campanha para as eleições presidenciais da próxima quarta-feira, segundo a agência iemenita de notícias, “Saba”.

Sua advertência coincidiu com novas críticas de dirigentes políticos e religiosos, assim como da imprensa, em diferentes países árabes e islâmicos às palavras pronunciadas na terça-feira pelo Papa sobre o Islã e o profeta Maomé.

Tais palavras fizeram parte de um discurso do Papa na Alemanha, no qual citou um diálogo entre o imperador Manuel II Paleólogo (1391) com um erudito persa.

Segundo o Papa, o governante dizia a seu interlocutor que na religião de Maomé só existiam “coisas más e desumanas, como sua ordem de divulgar a fé usando a espada”.

Duras críticas saíram de Al Azhar, a instituição mais prestigiosa do Islã sunita, e da Arábia Saudita, berço do Islã e sede dos lugares mais sagrados para os mais de 1,3 bilhão de muçulmanos do mundo.

O Grande Imame de Al-Azhar, xeque Mohammed Sayed Tantaui, considerou que a declaração do Pontífice “mostra sua ignorância sobre o Islã” e “não ajuda os esforços em favor do diálogo entre os seguidores das religiões e civilizações”.

Por sua parte, o mufti do reino wahhabista, xeque Abdelaziz Bin Abdallah al Sheikh, a máxima autoridade religiosa oficial do país, qualificou de “mentira” a declaração do Papa, e insistiu em que “o Islã é tolerante, rejeita a violência, respeita as outras religiões e defende a paz, a justiça e a segurança”.

A imprensa árabe também condena hoje as palavras do Bispo de Roma, e vários jornais de países como o Egito, Catar e Arábia Saudita consideram que as afirmações prejudicam tanto o Islã como o diálogo entre os seguidores das religiões, enquanto insistem em que o Papa ofereça “desculpas de forma pessoal”.

As críticas divulgadas hoje pelos meios de comunicação árabes foram feitas antes de o novo secretário de Estado Vaticano, Tarcisio Bertone, afirmar que o Papa está muito “descontente porque alguns fragmentos de seu discurso tenham podido soar como ofensivos à sensibilidade dos fiéis muçulmanos e tenham sido interpretados de modo não correspondente a suas intenções”.

Fonte: EFE