A Igreja Católica afirmou nesta quinta-feira que o projeto de Carta Magna impulsionado pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, e os estatutos autônomos encorajados por seus opositores podem criar “novas escravidões”, caso não se chegue a um consenso.

A mensagem foi lançada pelo cardeal Julio Terrazas, a maior autoridade da Igreja Católica na Bolívia, durante sua homilia na missa pelo início da Semana Santa em Santa Cruz (leste).

O cardeal foi convocado tanto por Morales como pela oposição para facilitar um diálogo que desbloqueie o conflito político que assola a Bolívia desde o ano passado.

Na ocasião, tiveram início os enfrentamentos entre os que defendem o projeto constitucional do líder e os que apóiam os estatutos autônomos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.

A Igreja se reuniu com representantes das partes envolvidas, mas ainda não conseguiu fazer com que ambos os lados sentem em uma mesa para dialogar, embora as autoridades do clero tenham dito que atuarão com cautela para que não fracasse o diálogo, uma vez instalado.

Segundo Terrazas, o projeto constitucional e os estatutos “têm que ser baseados no amor”, e se não houver isso, podem ser “criadas palavras bonitas” com “novas escravidões”.

“As desconfianças precisam acabar, esse espírito de crer que somos donos de toda a verdade e que todos têm de nos adorar também precisa acabar”, completou.

Evo Morales pediu que todos os envolvidos pudessem refletir sobre uma das últimas mensagens do Vaticano sobre respeito ao meio ambiente, direitos sociais e acumulação de riqueza.

“Sinto que é importante refletir sobre essas mensagens. Essa é nossa tarefa, essa é a luta que fazemos a cada dia sobre como buscar a igualdade se falamos de direitos sociais”, indicou o chefe de Estado, segundo boletim do Palácio de Governo.

Fonte: EFE