Em novo relatório, a Igreja Anglicana recomenda que os médicos sejam autorizados a interromper o tratamento de bebês nascidos prematuramente e com doenças e incapacidades muito graves, mas apenas em circunstâncias excepcionais.

A recomendação dos anglicanos, publicada na imprensa, favorável a que se permita a morte de algumas dessas crianças, diante da defesa da vida a todo custo, é uma resposta à pesquisa independente que será publicada nesta semana sobre a ética de “ressuscitar” esses bebês com ajuda da medicina.

Para o jornal “The Observer”, a constatação dos líderes anglicanos de que, em casos excepcionais, pode ser melhor acabar com a vida do que prolongá-la artificialmente, é um marco no pensamento da Igreja.

Tom Butler, bispo de Southwark (Londres) e vice-presidente do Conselho sobre Missões e Assuntos Públicos da Igreja da Inglaterra, escreve em resposta à pesquisa que, “em determinadas circunstâncias, o correto pode ser não aplicar, ou suspender o tratamento, com pleno conhecimento de que, provavelmente, ou mesmo com certeza, a morte não poderá ser evitada”.

Segundo Butler, “pode haver ocasiões em que a compaixão cristã se sobreponha à regra de preservação da vida a todo custo” e um exemplo disso “é o tratamento desproporcional apenas para prolongar uma vida”.

O bispo reconhece implicitamente que, no momento de tomar uma decisão, é preciso considerar as grandes implicações econômicas que esse tipo de tratamento tem para a saúde pública, pois poderia deixar de “salvar outras vidas”, e também a carga que significa para os pais.

O relatório da Igreja Anglicana não especifica, no entanto, que condições poderiam justificar uma decisão desse tipo, mas acredita-se que poderia ser aplicada a casos como o do casal inglês cuja filha nasceu com apenas seis meses de gestação, com menos de um quilo e com o cérebro e os pulmões gravemente prejudicados.

Os médicos pediram que fossem autorizados a desligar a máquina que mantinha o bebê com vida, porque seus problemas físicos causavam dores contínuas.

O caso foi para a Justiça e a menina sobreviveu, mas está profundamente incapacitada e sob cuidados de um abrigo, porque os pais não se sentem capazes de cuidar dela 24 horas por dia.

Há apenas alguns dias, o Colégio de Obstetrícia e Ginecologia do Reino Unido pediu um debate público sobre a conveniência de permitir a eutanásia infantil em casos extremos.

A proposta foi elogiada por alguns geneticistas e especialistas em deontologia médica, enquanto outros a classificaram de tentativa de engenharia social.

Fonte: EFE