A Igreja Católica boliviana pediu ao governo de esquerda e à oposição que respeite o papel da religião, no momento em que o país se prepara para reescrever sua Constituição.

A Igreja Católica boliviana pediu ao governo de esquerda e à oposição que respeite o papel da religião, no momento em que o país se prepara para reescrever sua Constituição.

O governo do presidente Evo Morales, que é católico, diz que a assembléia nacional que vai começar a rescrever a Constituição em agosto definirá o papel da religião.

No próximo 2 de julho os bolivianos elegerão os integrantes da assembléia constituinte, que, segundo Morales, vai “refundar a Bolívia” e conferir mais poder à maioria indígena do país.

A Constituição boliviana atual reconhece o catolicismo como a religião oficial, e o Estado contribui para os cofres da Igreja. Mas a Igreja teme um desvio para uma sociedade mais secular, em áreas como a educação.

“O Estado não pode ser contra a religião. Isso iria contra uma dimensão essencial de sua missão. O Estado precisa apoiar e fomentar o sentimento religioso”, disse o arcebispo de La Paz, Edmundo Abastoflor, na missa de Corpus Christi, na quinta-feira, segundo a agência de notícias estatal ABI.

O arcebispo destacou o processo histórico que fundiu o catolicismo com as crenças pré-cristãs dos povos indígenas bolivianos num sincretismo visível em festas populares como o Carnaval.

O Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales, é a favor de um Estado secular, mudança que os líderes da Igreja se dizem dispostos a aceitar. Seu principal receio é que o governo promova uma secularização geral da sociedade. Alguns partidos de oposição também são a favor da mudança para um Estado secular.

As estatísticas oficiais dizem que 78 por cento da população boliviana é católica e cerca de 17 por cento é protestante.

A Igreja Católica exerce papel importante na Bolívia, especialmente como mediadora em conflitos políticos e trabalhistas.

O ministro da Educação, Felix Patzi, disse que a educação será secular e que “a ênfase deixará de ser católica”, mas analistas políticos dizem que é pouco provável que Evo Morales assuma posição radical nessa questão, devido ao forte apoio de que a Igreja desfruta entre seus seguidores.

“A Igreja Católica e algumas igrejas evangélicas conquistaram muita credibilidade, de modo que não seria prudente o governo adotar linha dura com elas”, disse José Gutierrez Sardan, especialista em direito constitucional na Universidade San Andrés, de La Paz.

Fonte: Reuters