A República Dominicana está entre os países latino-americanos com maiores índices de mortalidade materna relacionada a abortos, considerado um problema de saúde pública.

Organizações de mulheres asseguram que a cada ano são realizados entre 80 mil e 100 mil abortos no país. A Igreja Católica intensifica sua campanha contra a despenalização do aborto em caso de violação, má formação do feto ou perigo de saúde à mãe, tema que está na pauta dos debates.

Após o 25. Encontro Nacional de Pastoral, realizado em meados de outubro, as 11 dioceses da República Dominicana se comprometeram a impedir a legalização do aborto. Através da iniciativa “Dar luz à vida”, a arquidiocese de Santo Domingo pôs em marcha uma série de atos que vão desde acender as luzes dos carros em protesto pela possível legalização do aborto, até um abraço simbólico ao edifício do Congresso.

No dia 28 de outubro, foi celebrada uma “Marcha pela vida” que percorreu o trajeto desde o monumento de Frei Antón de Montesinos até a sede do Congresso Nacional. A marcha concluiu com uma celebração eucarística presidida pelo cardeal Nicolás de Jesús López Rodríguez, primaz da América.

Segundo o coordenador da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal Dominicana, padre Luis Rosario Peña, “a Igreja Católica está disposta a levar essa batalha até as últimas conseqüências, porque se trata do valor mais elementar a proteger: o direito à vida, que é um dom sagrado”.

A Coligação por um Código Penal Moderno e Consensual entende que a grande maioria das dominicanas e dos dominicanos não está de acordo com a posição da igreja, que, dizem, fundamenta-se no ditado eclesiástico de que melhor duas mortes do que um aborto terapêutico. Também discordam da proibição do uso de anticoncepcionais e do uso de preservativo para a prevenção do HIV-AIDS.

Em declaração emitida em setembro, a Coligação dizia que “a criminalização do aborto terapêutico com base em ditames religiosos constitui uma clara violação à liberdade de consciência e culto consagrada na Constituição dominicana. Numa sociedade democrática, os ensinamentos morais de uma religião são assumidos de maneira voluntária pelos crentes, nunca impostos pela força da lei a toda a cidadania, à margem das crenças religiosas de cada qual. Por que os setores ultraconservadores evitam por todos os meios discutir este ponto?”, questionou.

Fonte: ALC