A Igreja Católica venezuelana retomou a polêmica levantada pelo presidente Hugo Chávez na sua tomada de posse do terceiro mandato, no passado dia 10 de Janeiro, para vincar que “Jesus não era socialista”.

“Jesus não foi socialista e, por isso, a religião cristã não pode vincular-se ao regime socialista, nem a nenhum outro”, disse, anteontem, em Valência, o cardeal de Caracas ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Tecnológica do Centro. “A história comprova que o socialismo marxista só tem deixado rastos de fracassos, de problemas e tragédias nos povos onde foi instaurado”, acrescentou Jorge Urosa Savino.

O cardeal de Caracas contesta assim as declarações de Chávez, que afirmou que “Cristo era socialista”, para apresentar o seu projeto de “socialismo do século XXI” na Venezuela. E sublinhou que “é preciso deixar bem claro que o cristianismo não está ligado a nenhum sistema sócio-político” e que “as exigências do mandamento de amor fraterno, fundamental para o cristianismo como religião, devem impulsionar a atividade de todos os fiéis e são a via para a pacífica convivência social”.

“Não se podem decretar através de uma lei, nem não nos pode impor o Estado, tampouco se pode usar a educação como instrumento para o proselitismo político”, sublinhou o cardeal Jorge Urosa Savino, que frisou que há muitas formas de socialismo e que, entre elas, “se encontra a modalidade marxista, que é totalitária, coletivista, concentra no Estado todos os poderes e mediatiza os direitos das pessoas e dos grupos intermédios”.

“A Igreja e a história do século XX ensinam que o socialismo marxista choca com os melhores interesses dos povos, ao deixar de lado direitos inalienáveis, dominar todos os espaços econômicos, sociais, políticos e culturais, e restringir as liberdades”, acrescentou, sublinhando que os bispos da Venezuela insistem na necessidade de manter na nova lei o pluralismo democrático consagrado na Constituição.

Fonte: Jornal de Notícias