Doze crianças acusadas de feitiçaria e abandonadas pelos seus familiares foram retiradas das ruas de Luanda nos últimos dias pelas Irmãs da Congregação do Bom Pastor, em Angola.

As histórias contadas pelas crianças que fizeram das ruas da capital a sua morada durante algum, comoveram as freiras que decidiram começar um processo de nova vida para os menores.

O caso mais recente é de uma menina de 11 anos acusada de ter morto a própria mãe usando feitiço. A superiora da congregação, Irmã Rita Lourenço, contou a história à Rádio Ecclesia, emissora católica angolana.

“O pai abandonou a criança na rua e foi detido pela Polícia porque batia nela e ele disse que a filha tem 11 anos e é feiticeira. Disse que comeu a mãe e que recebeu o feitiço do Congo e que ele poderia ter a mesma sorte e então decidiu abandonar a menina”, relatou a Ir. Lourenço.

A criança foi levada para casa das irmãs, no Palanca, por alguém que a encontrou a chorar na rua. Entretanto, o pai mudou de casa “e já não o conseguiu encontrar”.

A Irmã Rita decidiu procurar os familiares da menina. “Fui ter à casa onde eles moravam e encontrei alguns familiares, mas todos confirmaram que a menina é feiticeira. Conversei com eles, tentei convence-los mas não houve maneira e disseram que era melhor não deixar a menina com eles porque ela estava reconhecida como feiticeira”, indicou.

Para a religiosa, “o que está na base disto é a desordem social, a pobreza extrema e as maiores vítimas são as crianças”.

Fonte: Agência ecclesia