A Igreja Católica decidiu excomungar o padre de Bauru (a 329 km de São Paulo) que havia se afastado de suas atividades religiosas após declarar apoio a homossexuais.

A decisão foi divulgada pela diocese da cidade em comunicado assinado pelo Conselho Presbiteral Diocesano, formado por dez sacerdotes da cúpula do órgão.

Nesse texto, a diocese afirma que os “atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial”.

A polêmica em torno de Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, teve início na semana passada, quando recebeu ultimato do bispo de Bauru para se retratar e “confessar o erro” cometido num depoimento divulgado na internet.

No vídeo, o padre afirma que existe a possibilidade de amor entre pessoas do mesmo sexo e questiona conceitos de fidelidade matrimonial, dizendo que casos extraconjugais não consistem em traição se forem “abertos”.

Apesar da exigência de retratação, o padre manteve as declarações e anunciou seu afastamento das atividades religiosas.

O caso provocou reações de católicos e manifestações de apoio de frequentadores de suas missas.

Anteontem, as duas missas de despedida do padre Beto ficaram superlotadas. Numa delas, acompanhada pela reportagem e com pessoas em pé nas laterais, ele disse que para “Jesus Cristo não existia preconceito”.

O religioso foi aplaudido de pé ao final da celebração. Muitos dos fiéis choraram e, em seguida, fizeram fila para cumprimentá-lo na porta.

Na cidade, ele é conhecido por suas críticas a dogmas católicos e chama a atenção pelo estilo. Escreve artigos em jornais, é autor de livros, apresenta programa de rádio, frequenta choperias e usa piercing, anéis, camisetas com estampas de rock ou com a imagem de Che Guevara.

Nas missas, no entanto, sempre usou vestimentas tradicionais e seguiu os rituais.

[b]SURPRESA[/b]

Quando anunciou seu afastamento, no sábado, o padre disse que considerava a hipótese de voltar um dia. Ontem, porém, foi surpreendido com a excomunhão.

“Ainda bem que não tem fogueira”, disse o padre, ao comentar a decisão. Ele afirmou ainda que a excomunhão não mudará sua vida, pois já havia decidido pelo afastamento da igreja.

Agora, o processo de excomunhão será tocado por um juiz instrutor até chegar ao Vaticano, onde funciona a última instância da igreja.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]