Uma investida de evangelização, ampla e permanente, para conquistar novos fiéis e trazer de volta os católicos que abandonaram a Igreja é o principal compromisso assumido pelos bispos na 5ª Conferência-Geral do Episcopado do América Latina e do Caribe, que se reuniu de 13 a 31 de maio em Aparecida.

As conclusões da reunião, publicadas nesta quinta-feira com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, serão entregues no próximo dia 11, em Roma, a Bento XVI pelos cardeais que presidiram o encontro – Giovanni Battista Ré, prefeito da Congregação para os Bispos; Francisco Javier Errázuriz Ossa, presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), e Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil – mas só serão divulgadas oficialmente após a aprovação do papa.

O documento reafirma a opção preferencial da Igreja pelos pobres, valoriza as Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), denuncia violações dos direitos humanos, especialmente nas prisões, discute a questão dos migrantes, defende o casamento indissolúvel, condena o aborto e prega a dignidade da mulher. A seguir, em texto não oficial – de 118 páginas em espanhol, com dez capítulos e conclusão – os principais tópicos de Aparecida.

Evangelização

Desde a primeira evangelização até os tempos recentes, a Igreja experimentou luzes e sombras. Escreveu páginas de nossa história de grande sabedoria e santidade. Sofreu também tempos difíceis, tanto por assédios e perseguições, como por debilidades, compromissos mundanos e incoerências, pelo pecado de seus filhos, que desfiguraram a novidade do Evangelho, a luminosidade da verdade e a prática da justiça e da caridade. No entanto, o mais decisivo na Igreja é sempre a ação santa do seu Senhor.

Cristianismo

O dom das tradição católica é o cimento fundamental de identidade, originalidade e unidade da América Latina e do Caribe: uma realidade histórico-cultural marcada pelo Evangelho de Cristo, realidade na qual abunda o pecado – de opressão, violência, ingratidões e misérias – mas superabunda a graça da vitória pascal. Nossa Igreja goza, apesar das debilidades e misérias humanas, de um alto índice de confiança e de credibilidade por parte junto do povo. É morada dos povos irmãos e casa dos pobres.

Missão

A Igreja está chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Não pode curvar-se diante daqueles que só vêem confusão, perigos e ameaças, ou daqueles que pretendem encobrir a variedade e complexidade de situações com uma capa de ideologismos desgastados ou de agressões irresponsáveis.

Sexualidade

Entre os pressupostos que debilitam e menosprezam a vida familiar encontramos a ideologia de gênero, segundo a qual uma pessoa pode escolher sua orientação sexual, sem levar em conta as diferenças ditadas pela natureza humana. Isso provocou mudanças legais que ferem gravemente a dignidade do matrimônio, o respeito ao direito à vida e a identidade da família.

Mulher

A América Latina e o Caribe precisam, nesta hora, de tomar consciência da situação precária que afeta a dignidade de muitas mulheres. Algumas são submetidas, desde meninas e adolescentes, a múltiplas formas de violência dentro e fora de casa: tráfico, violação, escravidão e assédio sexual; desigualdades na esfera do trabalho, da política e da economia; exploração publicitária por parte de muitos meios de comunicação social que as tratam como objeto de lucro.

Culturas

Existem em nossa região diversas culturas indígenas, afrodescendentes, mestiças, camponesas, urbanas e suburbanas. As culturas indígenas se caracterizam sobretudo por seu profundo apego à terra e pela vida comunitária. Os afrodescendentes se caracterizam, entre outros elementos, pela expressividade corporal, pela ligação familiar e pelo sentido de Deus. A cultura camponesa está ligada ao ciclo agrário.

A cultura mestiça, que é a mais difundida entre muitos povos da região, buscou em meio de contradições sintetizar ao longo da história essas múltiplas fontes culturais originárias, facilitando o diálogo das respectivas cosmovisões e permitindo sua convergência em uma história compartilhada.

Globalização

A globalização é um fenômeno complexo que possui diversas dimensões (econômicas, políticas, culturais, de comunicação, etc). Para uma justa avaliação, é necessária uma compreensão analítica e diferenciada que permita detectar tanto seus aspectos positivos como negativos. Lamentavelmente, o aspecto mais comum e de sucesso da globalização é sua dimensão econômica, que se sobrepõe e condiciona as outras dimensões da vida humana…

… É por isso que, diante dessa forma de globalização, sentimos um forte apelo para promover uma globalização diferente, que é marcada pela solidariedade, pela justiça e pelo respeito dos direitos humanos, fazendo da América Latina e do Caribe não só o continente da esperança, mas também o continente do amor, como propôs Sua Santidade Bento XVI no discurso inaugural desta Conferência.

Exploração

As instituições financeiras e as empresas transnacionais se fortalecem a ponto de subordinar as economias locais, sobretudo debilitando os Estados, que pare cem cada vez mais impotentes para levar à frente projetos de desenvolvimento a serviço de suas populações, especialmente quando se trata de investimentos de longo prazo e sem retorno imediato.

Democracia

Reconhecemos como fato positivo o fortalecimento dos regimes democráticos em muitos países da América Latina e do Caribe, como mostram os últimos processos eleitorais. No entanto, vemos com preocupação o acelerado avanço de diversas formas de retrocesso autoritário por via democrática que derivam em alguns casos em regimes de corte neopopulista.

Legislação

Alguns parlamentos e congressos legislativos aprovam leis injustas passando por cima dos direitos humanos e da vontade popular, exatamente por não estarem próximos de seus representados nem saberem escutar e dialogar com os cidadãos, mas também por ignorância, por falta de acompanhamento e porque muitos cidadãos abdicam de seu dever d e participar da vida pública.

Amazônia

A crescente agressão ao meio ambiente pode servir de pretexto para propostas de internacionalização da Amazônia, as quais só servem a interesses econômicos das corporações transnacionais. A sociedade panamazônica é pluriétnica, pluricultural e pluriirreligiosa.

Indígenas

Hoje, os povos indígenas e afros estão ameaçados em sua existência física, cultural e espiritual; em seus modos de vida; em suas identidades; em sua diversidade; em seus territórios e projetos. Algumas comunidades indígenas se encontram fora de suas terras porque estas foram invadidas e degradadas, ou não têm terras suficientes para desenvolver suas culturas. Sofrem graves ataques à identidade e sobrevivência, pois a globalização econômica e cultural põe em perigo sua própria existência como povos diferentes.

… Como Igreja que assume a causa dos pobres encorajamos a paticipação dos indígenas e dos afroamericanos na vida eclesial.

… A história dos afroamericanos foi atravessada por uma exclusão social, econômica, política e, sobretudo, racial, na qual a identidade étnica é fator de subordinação social.

Evasão de fiéis

Nas últimas décadas, vemos com preocupação, por um lado, que numerosas pessoas perdem o sentido transcendental de suas vidas e abandonam as práticas religiosas e, por outro lado, que um número significativo de católicos estão abandonando a Igreja para passar a outros grupos religiosos…

… Dentro do novo pluralismo religioso em nosso continente, não se distinguem suficientemente os crentes que pertencem a outras igrejas ou comunidades eclesiais, tanto por sua doutrina como por suas atitudes, daqueles que fazem parte da grande diversidade de grupos cristãos (inclusive pseudocristãos) que se instalaram entre nós, já que não é adequado englobar todos em uma só categoria de análise nem chamá-los simplesmente de “seitas”. Muitas vezes não é fácil o diálogo ecumênico com grupos cristãos que atacam a Igreja Católica com insistência.

Vitalidade

Reconhecemos o dom da vitalidade da Igreja que peregrina na América Latina sua opção pelos pobres, suas paróquias, suas comunidades, suas associações, seus movimentos eclesiais, novas comunidades e seus múltiplos serviços sociais e educativos.

Responsabilidade

Todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente…

… A renovação das paróquias no início do terceiro milênio exige reformular suas estruturas, para que seja uma rede de comunidades e grupos capaz de se articular fazendo com que seus participantes se sintam e sejam realmente discípulos e missionários de Jesus Cristo em comunhão.

CEBs

Na experiência da América Latina e do Caribe, as Comunidades Eclesiais de Base foram com freqüência verdadeiras escolas que formam discípulos e missionários do Senhor, como testemunho de entrega generosa, até o derramamento de sangue, de tantos de seus membros…

… As Comunidades Eclesiais de Base, em comunhão com seu bispo e com o projeto pastoral diocesano, são um sinal de vitalidade da Igreja, instrumento de formação e de evangelização, e um ponto de partida válido para a Missão Continental permanente. Elas poderão revitalizar as paróquias, no seu interior, fazendo delas uma comunidade de comunidades…

… Junto das Cebs, há outras variadas formas de pequenas comunidades eclesiais, grupo de vida, de oração e de reflexão da Palavra de Deus, e inclusive redes de comunidades.

Leigos

Os leigos também são chamados a participar da ação pastoral da Igreja, primeiro com o testemunho de sua vida e, em segundo lugar, com ações no campo da evangelização, da vida litúrgica e de outras formas de apostolado segundo as necessidades locais sob a orientação de seus pastores. Esses estão dispostos a lhes abrir espaços de participação e a lhes confiar ministérios e responsabilidades em uma Igreja em que todos vivam de maneira responsável seu compromisso cristão.

Abandono

Segundo nossa experiência pastoral, muitas vezes gente sincera que sai de nossa Igreja não faz isso por causa do que os grupos ‘não católicos’ acreditam, mas fundamentalmente pelo que eles vivem; não por razões doutrinais mas vivenciais; não por motivos estritamente dogmáticos, mas pastorais; não por problemas teológicos mas metodológicos de nossa Igreja. Em verdade, muita gente que passa para outros grupos religiosos não está busando sair de nossa Igreja, mas está buscando sinceramente a Deus.

Judeus

Reconhecemos com gratidão os laços que nos ligam ao povo judeu, com o qual nos une a fé no único Deus e sua Palavra revelada no Antigo Testamento. São nossos “irmãos maiores” na fé de Abraão, Isaac e Jacó. Lamentamos a história de desencontros que sofreram, também em nossos países. São muitas as causas comuns que na atualidade demandam maior colaboração e apreço mútuo.

Vida Cristã

São muitos os crentes que não participam da Eucaristia dominical nem recebem com regularidade os sacramentos, nem se engajam ativamente na comunidade eclesial.

Isso nos interpela a imaginar e organizar novas formas de aproximação deles para ajudá-los a valorizar o sentido da vida sacramental, da participação comunitária e dos compromisso cidadão. Temos alta porcentagem de católicos sem consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com uma identidade cristã débil e vulnerável.

… É um desafio que questiona a fundo a maneira como estamos educando na fé e como estamos alimentando a vivência cristã; um desafio que devemos enfrentar com decisão, valentia e criatividade, já que em muitas partes a iniciação cristã foi pobre ou fragmentada.

Ou educamos para a fé, pondo realmente em contato com Jesus Cristo e convidando a seu seguimento, ou não cumprimos nossa missão evangelizadora.

Novas comunidades

Os movimentos e novas comunidades constituem uma valiosa contribuição na realização da Igreja Particular. Pela sua própria natureza, expressam a dimensão carismática da Igreja…

Seminaristas

A realidade atual exige de nós maior atenção para os projetos de formação dos Seminários, pois os jovens são vítimas da influência negativa da cultura pós-moderna, especialmente dos meios de comunicação social, trazendo consigo a fragmentação da personalidade, a incapacidade de assumir compromissos definitivos, a falta de maturidade humana, o enfraquecimneto da identidade espiritual, entre outras coisas, que dificultam o processo de formação de autênticos discípulos e missionários…

… Deverá ser dada especial atenção ao processo de formação humana para a maturidade, de tal maneira que a vocação ao sacerdócio ministerial dos candidatos seja, para cada um, um projeto de vida estável e definitivo, em meio a uma cultura que exalta o descartável e o provisório. Diga-se o mesmo da educação para o amadurecimento da afetividade e da sexualidade.

Escolas

A Escola católica é chamada a uma profunda renovação. Devemos resgatar a identidade católica de nossos centros educacionais por meio de um impulso missionário corajoso e audaz, de modo que chegue a ser uma opção profética plasmada em uma pastoral da educação participativa.

Liberdade

Um princípio irrenunciável para a Igreja é a liberdade de ensino. O amplo exercício do direito à educação reclama, por sua vez, como condição apra sua autêntica realização, a plena liberdade de que deve gozar toda pessoa para escolher a educação de seus filhos que considera mais conforme aos valores que mais estima e que considera indispensáveis.

Universidades

…As atividades fundamentais de uma Universidade católica deverão vincular-se e harmonizar-se com a missão evangelizadora da Igreja. Isso se faz por meio de uma investigação realizada à luz da mensagem cristã, que ponha os novos conhecimentos humanos a serviço das pessoas e da sociedade.

Pastoral

A pastoral da Igreja não pode prescindir do contexto histórico em que vivem seus membros. Sua vida acontece em contextos socioculturais bem concretos. As transformações sociais e culturais representam naturalmente novos desafios para a Igreja em sua missão de construir o Reino de Deus. Daí nasce a necessidade, em fidelidade ao Espírito Santo que a conduz, de uma renovação eclesial que implica reformas espirituais, pastorais e também institucionais.

Dignidade humana

A cultura atual tende a propor estilos de ser e de viver contrários à natureza humana e à dignidade do ser humano. O impacto dominante dos ídolos do poder, da riqueza e o prazer efêmero se transformaram, acima do valor da pessoa, em norma máxima de funcionamento e em critério decisivo na organização social. Diante dessa realidade, anunciamos uma vez mais o valor supremo de cada homem e de cada mulher.

Pobres e excluídos

Dentro desta ampla preocupação com a dignidade humana, situa-se nossa angústia pelos milhões de latino-americanos e latino-americanas que não podem levar uma vida que corresponda a essa dignidade. A opção prefere ncial pelos pobres é um dos traços que marca a fisionomia da Igreja da América Latina e do Caribe.

De fato, João Paulo II, dirigindo-se a nosso Continente, afirmou que “converter-se ao Evangelho significa, para o povo cristão que vive na América, revisar todos os ambientes e dimensões de sua vida, especialmente tudo o que pertence à ordem social e à obtenção do bem comum”.

… Comprometemo-nos a trabalhar para que a Igreja Latino-Americana e do Caribe continue sendo, com maior afinco, companheira de caminho de nossos irmãos mais pobres, inclusive até ao martírio.

Novos pobres

A globalização faz emergir, em nossos povos, novos rostos de pobres. Com especial atenção e em continuidade com as Conferências-Gerais anteriores, fixamos nosso olhar nos rostos dos novos excluídos: os migrantes, as vítimas da violência, os sem-teto e os refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas de seqüestros, os desaparecidos, os doentes de HIV e de enfermidades endêmicas, os toxicodependentes, os idosos, os meninos e meninas que são vítimas de prostituição, pornografia e violência ou de trabalho infantil, as mulheres maltratadas, as vítimas da violência, da exclusão e do tráfico para a exploração sexual, as pessoas com capacidades diferentes, os grandes grupos de desempregados/as, os excluídos pelo analfabetismo tecnológico, as pessoas que vivem na rua das grandes cidades, os indígenas e afrodescendentes, os camponeses sem terras os mineiros. A Igreja com sua Pastoral Social deve acolher e acompanhar essas pessoas excluídas nos âmbitos correspondentes…

… A opção preferencial pelos pobres nos impulsiona, como discípulos e missionários de Jesus, a buscar caminhos novos e criativos, a fim de responder à realidade crescente de pobres

Drogas

A Igreja deve promover na América Latina e no Caribe uma luta frontal contra o consumo e o tráfico de drogas, insistindo no valor da ação preventiva e reeducativa, assim como apoiando governos e entidades civis que trabalham nesse sentido, cobrando do Estado sua responsabilidade de combater o narcotráfico e prevenir o uso de todo tipo. A ciência apontou a religiosidade como um fator de proteção e de recuperação importante para o usuário de drogas.

Migrantes

Entre as tarefas da Igreja a favor dos migrantes está indubitavelmente a denúncia profética das agressões que freqüentemente sofrem, como também agir junto a organismos da sociedade civil , nos governos dos países, para conseguir uma política migratória que leve em conta os direitos das pessoas nessa situação.

Aborto

Esperamos que os legisladores, governantes e profissionais da saúde, conscientes da dignidade da vida humana e das raízes da família em nossos povos, a defendam e protejam dos crimes abomináveis do aborto e da eutanásia; é essa a sua responsabilidade. Por isso, diante de leis de disposições governamentais que são injustas segundo a luz da fé, se deve favorecer a objeção de consciência. Devemos nos ater à ‘coerência eucarísticas’, quer dizer, ser conscientes de que não podemos receber a sagrada comunhão e ao mesmo tempo atuar com atos ou palavras contra a vida e a família. Esta responsabilidade pesa de maneira particular sobre os legisladores, governantes e profissionais da saúde.

Casamento

A família está fundada no sacramento do matrimônio entre uma mulher e um homem, sinal do amor de Deus pela humanidade e da entrega de Cristo à sua esposa, a Igreja. Dessa aliança de amor resultam a paternidade e a maternidade, a filiação e a fraternidade, e o compromisso dos dois por uma sociedade melhor.

Dignidade feminina

Pela antropologia cristã, ressalta-se a igual dignidade entre o homem e a mulher pelo fato de serem criados à imagem e semelhança de Deus. O mistério da aTrindade nos convida a viver uma comunidade de iguais na diferença. Numa época de marcado machismo, a prática de Jesus foi decisiva para significar a dignidade da mulher e seu valor indiscutível…

…A relação entre a mulher e o homem é de reciprocidade e de colaboração mútua. Trata-se de harmonizar, complementar e trabalhar somando esforços. A mulher é corresponsável, junto com o homem, diante do presente e o futuro de nossa sociedade humana…

… Na América Latina de hoje, urge escutar o clamor, muitas vezes silenciado, das mulheres que são submetidas a muitas formas de exclusão e de violência em todas as suas formas e em todas as etapas da vida. Entre elas, as mulheres pobres, indígenas e afrodescendentes sofreram uma dupla marginalização.

Presos

Uma realidade que atinge todos os setores d a população, mas principalmente o mais pobre, é a violência produto das injustiças e outros males que durante muitos anos se semeou nas comunidades. Isso induz a uma maior criminalidade e, portanto, a que sejam muitas as pessoas que têm de cumprir penas em recintos penitenciários desumanos, caracterizados pelo comércio de armas, drogas, superlotação, torturas, falta de programas de reabilitação, crime organizado que impede um processo de reeducação e de inserção na vida produtiva da sociedade. Os cárceres são com freqüência, lamentavelmente , escolas de delinqüência.

Uniões irregulares

Para tutelar e apoiar a família, a Pastoral familiar pode impulsionar, entre outras, as seguintes ações:

…. Acompanhar com cuidado, prudência e amor compassivo os casais que vivem em situação irregular, seguindo as orientações do Magistério. Requerem-se mediações que tornem possível chegar a eles a mensagem de salvação para todos. É preciso impulsionar ações eclesiais, num trabalho interdiscilplinar de teologia e ciências humanas, que ilumine a pastoral e a preparação de agentes especializados para acompanhamento desses irmãos.

… Nos casos de petições de nulidade matrimonial, fazer que os Tribunais eclesiásticos sejam acessíveis e tenham correta e pronta atuação.

… Organizar casas de acolhimento e um acompanhamento específico para atender com compaixão e solidariedade as meninas e adolescentes grávidas, as mães ‘solteiras’ e os lares incompletos.

Jovens

Os jovens e adolescentes constituem a grande maioria da população da América Latina e do Caribe e por isso representam um enorme potencial para o presente e o futuro da Igreja e de nossos povos como discípulos e missionários do Senhor Jesus.

Os jovens são sensíveis a descobrir sua vocação para serem amigos e discípulos de Cristo. São chamados a serem ‘sentinelas da manhã’, comprometendo-se na renovação do mundo à luz do Plano de Deus. Não temem o sacrifício nem a entrega da própria vida, mas sim uma vida sem sentido.

Por sua generosidade, são chamados a servir a seus irmãos, especialmente aos mais necessitados, com todo o seu tempo e sua vida. Têm capacidade para se oporem às falsas ilusões de felicidade e aos paraísos enganosos da droga, do prazer, do álcool e de todas as formas de violência. Na busca do sentido da vida, são capazes e sensíveis para procurar descobrir o chamado particular que o Senhor Jesus lhes faz. Como discípulos missionários, as novas gerações são chamadas a transmitir a seus irmãos jovens, sem distinção alguma, a corrente da vida que vem de Cristo e a compartilhá-la em comunidade construindo Igreja e sociedade.

Defesa da vida

Para que os discípulos e missionários louvem a Deus dando graças pela vida e servindo-a, propomos as seguintes ações: … Oferecer aos casais programas de formação em paternidade responsável e sobre o uso de métodos naturais de controle da natalidade.

… Apoiar e acompanhar pastoralmente com misericórdia as mulheres que decidiram não abortar e acolher com misericórdia aquelas que abortaram para ajudá-las a sanar suas graves feridas e convidá-las a ser defensoras da vida. O aborto faz duas vítimas: a criança, sem dúvida, e também a mãe.

Fonte: Estadão