A Igreja Católica retomou o comando da catedral de São Vito, em Praga, após quase 50 anos de controle estatal, estabelecido no período comunista.

O Estado tcheco, sob o totalitarismo comunista, se apropriou do emblemático edifício gótico em 1954. O prédio começou a ser construído pelo imperador Carlos IV (1316-1378) “para a glória de Deus e do povo tcheco”.

Mas as autoridades de Praga demoraram a devolver a igreja a seu proprietário após o retorno à democracia, iniciando um processo judicial que durou 13 anos e que deu quatro veredictos favoráveis à instituição religiosa.

A partir de hoje, “a Administração do Castelo de Praga recusa qualquer responsabilidade sobre os visitantes e a venda de bilhetes para a catedral”, afirmou um comunicado do porta-voz oficial, Petr Hajek.

O templo não está mais incluído nas visitas ao Castelo, administradas pelo Escritório da Presidência, e os novos organizadores eclesiásticos é que deverão oferecer visitas guiadas aos turistas pela cripta dos reis, pela torre e pela abside, com o rico conjunto monumental de São Adalberto.

O preço do novo ingresso para a igreja será de 80 coroas (US$ 3,60) e a gestão da catedral ficará a cargo da entidade que administra a igreja de São Nicolás até o Natal.

O arcebispo de Praga, cardeal Miloslav Vlk, classificou como uma “decisão justa” e desmentiu que pretenda limitar o acesso à catedral.

Vlk acrescentou que um monumento como a catedral de São Vito “faz parte do patrimônio cultural do povo e, por isso, todos terão que assumir a responsabilidade de sua manutenção juntos”.

O arcebispo acrescentou que devem ser realizadas melhorias para engrandecer mais a liturgia, pôr um altar de pedra no lugar do provisório, que data de 1968, e dedicar uma capela a São Adalberto, santo centro-europeu que sofreu o martírio em 997.

As autoridades tchecas apelarão contra a devolução na Corte Suprema.

Recentemente, a Administração de Praga quis ainda tomar as insígnias da Coroa, símbolos do país que estão no Castelo de Karlstejn, do Banco Nacional Tcheco, segundo fontes do bispado de Praga.

Mas no final foi assinado um contrato que outorga garantias suficientes ao Estado para deixar as insígnias no lugar original, “onde sempre estiveram, antes de os comunistas chegarem ao poder”, afirmaram as fontes.

Um dos objetivos dos novos administradores da catedral é “melhorar o funcionamento das visitas para turistas, torná-las mais agradáveis e evitar certos excessos”, como a forma inadequada de se vestir e o consumo de alimentos dentro da igreja.

“Na pia de água benta foram encontrados até preservativos”, se queixaram os responsáveis.

Fonte: EFE