A advertência ao goleiro do Celtic por ter feito o sinal-da-cruz durante um jogo de futebol contra o Rangers foi criticada pela Igreja Católica, que considerou a punição “preocupante e alarmante”.

O goleiro polonês, Artur Broruc, foi advertido pelas autoridades escocesas por “atentar contra a ordem pública” com o seu gesto, durante um jogo no estádio de Ibrox, em Glasgow, em fevereiro.

A promotoria da Coroa considerou o gesto “provocativo”, edisse que ele tinha causado alvoroço no estádio. Mas decidiu simplesmente advertir o jogador, e não abrir um processo contra ele.

Um porta-voz da promotoria explicou que o gesto foi feito diante de uma multidão excitada pelo clássico entre o Celtic (apoiado pelos católicos) e seu rival, o Rangers (clube dos protestantes). Por isso, equivaleu a um atentado contra a ordem pública.

Um porta-voz da Igreja Católica, Peter Kearney, achou “lamentável” a advertência ao jogador. Para ele, “o sinal-da-cruz é aceito globalmente como gesto de reverência religiosa”.

O porta-voz católico acrescentou que o gesto é “muito comum no futebol internacional, inclusive em jogos de Copa do Mundo”.

“É lamentável que a Escócia tenha se transformado aparentemente num dos poucos países do mundo em que um simples gesto religioso é considerado um delito”, afirmou, segundo informa hoje a rede BBC.

O líder nacionalista escocês Alex Salmond também criticou a decisão e disse que o promotor havia “perdido a razão”.

A Polícia escocesa investigou queixas de que Boruc tinha ofendido um setor do público com o sinal-da-cruz e apresentou um relatório ao promotor.

Boruc, que jogou no Mundial da Alemanha, foi contratado pelo Celtic em julho do ano passado.

Fonte: EFE