A Igreja da Inglaterra apóia a supressão da vida de recém-nascidos que tenham doença grave, segundo texto do bispo de Southwark, Tom Butler, que é o vice-presidente do Conselho de Missão e Assuntos Públicos da Igreja da Inglaterra.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina aprovou, na semana passada, resolução que autoriza médicos a suspender tratamento de doentes terminais, e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil apoiou a decisão.

Ele escreveu um texto como contribuição ao debate público sobre as questões éticas que cercam bebês recém-nascidos que tenham nascido de modo muito prematuro ou muito doentes. O debate, iniciado há dois anos, terá suas conclusões publicadas em breve. As conclusões da Igreja da Inglaterra, porém, já foram vazadas para a imprensa. Nesta terça-feira, o “Daily Mail” publicou trechos do texto do bispo Butler.

O contexto em que o texto é vazado é o de grande discussão, na Grã-Bretanha, sobre o tema. O Colégio Real de Obstetras e Ginecologia já havia sugerido um debate sobre a morte piedosa de bebês deficientes.

O debate do qual a Igreja tomou parte é o do Conselho de Biotética de Nuffield, um organismo independente que estabelece diretrizes éticas para os médicos. A intenção era levantar os avanços científicos que podem manter bebês deficientes e prematuros tecnicamente vivos.

Um bebê nascido após apenas três meses de gestação, pesando 500 gramas, marca o debate. Os médicos queriam deixar o bebê morrer, opinião contrária ao desejo dos pais, que lutaram na Justiça contra eles.

Depois de três anos, a criança vingou e pode viver fora do hospital. Mas seus pais se separaram e são considerados pela Justiça não-apropriados para tomar conta da criança.

O bispo escreveu, no debate do conselho: “Pode ser correto, em algumas circunstâncias, escolher suspender tratamento, sabendo-se que isto possivelmente, provavelmente ou mesmo certamente resultará em morte”.

O texto salienta que não é sua intenção afirmar que há vidas indignas. Mesmo assim, segundo o “Mail”, ele afirma que existem razões para “suprimir a pressuposição de que a vida deva ser mantida”.

“Pode haver ocasiões em que, para um cristão, a compaixão vá suprimir a ‘regra’ de que a vida deva ser inevitavelmente preservada”.

Um dos fatores a serem considerados na decisão, diz o texto, está o custo do tratamento. “Grande cuidado deve ser exercido ao trazer questões de custo para a equação, quando se considera qual tratamento deva ser providenciado”. O bispo afirma que há que se considerar o custo em termos de saúde pública, o qual poderia ser usado para salvar “outras vidas”.

O texto pede aos médicos que sejam humildes: “o princípio da humildade pede aos integrantes da profissão médica que evitem reclamar mais poderes de cura que o que podem exercer”.

Fonte: Gazeta Online