A Igreja Católica americana pediu a um Instituto Universitário especializado em criminologia um estudo sobre as causas dos abusos sexuais cometidos por sacerdotes.

Numa reunião que terminou nesta quinta-feira na cidade de Baltimore (leste), a Conferência americana de bispos católicos aprovou o desembolso de 335.000 dólares para financiar as primeiras três fases de um estudo que será realizado pelo Instituto Universitário John Jay College of Criminal Justice, em Nova York.

“Será um estudo pioneiro, nunca antes realizado nos Estados Unidos nem no mundo”, assegurou à AFP o bispo Gregory Aymond, que preside o Comitê para a proteção de crianças e jovens.

“Não sabemos qual será o resultado, mas vamos dizer a verdade”, acrescentou Aymond, de Austin, Texas (sul).

Em 2002, o John Jay College of Criminal Justice realizou uma lista de denúncias e casos de pedofilia na Igreja Católica americana desde 1985, quando surgiu um dos primeiros escândalos sobre o assunto, o caso de um sacerdote de Louisiana (sul).

A universidade analisará agora o “contexto social e histórico” dos abusos sexuais para ver se estes casos são mais freqüentes na Igreja do que no restante da sociedade, especialmente em escolas e clubes de jovens, disse Aymond.

A Igreja quer “olhar o que for único” na crise por abuso sexual por parte de sacerdotes, explicou.

A primeira parte do estudo ficará pronta em 2008 e será divulgada sem os nomes dos sacerdotes suspeitos.

Na segunda parte, a universidade avaliará a resposta da Igreja aos casos de abuso.

“Queremos ver onde falhamos e nos equivocamos, e aprender com aqueles que administraram bem a situação”, indicou Aymond.

O estudo fará também um perfil psicológico dos padres pedófilos e tentará mostrar “até que ponto o perfil de um sacerdote que abusa sexualmente de meninos é similar ao perfil psicológico de agressores sexuais não sacerdotes”, disse Aymond.

A universidade também entrevistará as vítimas de abusos e estudará a educação nos seminários ao longo dos anos.

A maioria dos sacerdotes acusados de abuso sexual formou-se nas décadas de 1960 e 1970, em seminários que depois adotaram testes psicológicos e educação sexual.

Uma fase final do estudo fará propostas sobre como prevenir o abuso sexual e ajudar as vítimas.

Fonte: AFP