O primeiro prédio destinado a uma igreja começou a ser construído nos arredores desertos de Doha, capital do país.

Embora a totalidade dos habitantes naturais do Catar seja muçulmana – e seja proibida por lei a conversão a outra religião – a nova igreja irá atender ao grande número de cristãos que chegaram a esse país da Península Arábica em busca de emprego.

Cristãos de toda a península – muitos deles trabalhadores migrantes – estão ajudando a custear a construção da igreja, que deve ser inaugurada no final do ano.

Encarregado de supervisionar a igreja está o bispo Paulo Hinder. Ele atua em seis países: Catar, Emirados Árabes, Barein, Omã, Iêmen e até Arábia Saudita, o berço do islamismo, onde o cristianismo é praticado a portas fechadas. Falando sobre as comunidades cristãs na Arábia Saudita, ele disse: “Não é uma igreja livre. Os cristãos podem se reunir em suas casas de modo muito discreto”.

“Claro que não é fácil ser um religioso aqui [na península], mas pelo menos no que diz respeito à vida da igreja, ela é plena de vitalidade”, afirmou ele.

Satisfação espiritual

Paulo Hinder disse que permitir que os cristãos cultuem livremente pode trazer apenas benefícios para os países nos quais eles trabalham. “Quanto mais as pessoas estão satisfeitas espiritualmente, mais elas continuarão a ajudar a desenvolver o país, isso é óbvio”, defendeu.

Ele disse à Al Jazeera que freqüentemente as pessoas são cristãs mais ativas durante os anos que passam trabalhando na península arábica do que quando voltam para casa.

A freqüência nos serviços religiosos em toda a Península Arábica é significativa. O número de presentes supera o das congregações na Europa e até nos Estados Unidos.

A maioria dos dois milhões de cristãos expatriados que freqüentam esses cultos é de filipinos, libaneses e indianos que foram à península para trabalhar.

“Temos de aceitar que somos expatriados em todos os sentidos da palavra. Somos a própria igreja peregrina”, disse o bispo.

“O desafio especialmente é que somos uma igreja de múltiplas culturas, línguas e raças, composta de fiéis de praticamente todo o mundo.”

Fonte: Portas Abertas