A Igreja Assembléia de Deus de Queimadas denunciou neste sábado, 3, a “ação desastrosa” de policiais civis contra o pastor Dari Ferreira da Silva, de Queimadas. Segundo o presidente da igreja na Paraíba, pastor Francisco Pacheco de Brito ( foto), o religioso quase era preso arbitrariamente, após ser confundido com um bandido, que não tem qualquer vínculo com a igreja.

O caso teria acontecido no último sábado, 26 de abril, com o pastor que atualmente responde pela primeira-secretaria da Convenção de Pastores da Assembléia de Deus na Paraíba.

Quem narra o ocorrido é Francisco Pacheco: “Dari Ferreira é pastor há quinze anos e há quatro exerce o pastorado na Igreja Assembléia de Deus em Queimadas. No último sábado, Dari esteve viajando para o alto sertão paraibano e, ao retornar na madrugada do domingo, tomou conhecimento que na tarde do dia anterior, por volta das 15h, o templo da igreja em Queimadas tinha sido invadido por quatro policiais civis que estavam acompanhados de uma mulher identificada como Leila, residente naquela cidade. O grupo armado e sem qualquer mandado judicial de busca e apreensão invadiu o templo e agrediu verbalmente os evangélicos encontrados no local”.

Conforme o relato dos evangélicos, prossegue o presidente, os policiais chegaram a apontar armas para as suas cabeças para forçar o acesso a todas as dependências do templo, pois estavam à procura do pastor Dari, “acusado de ser traficante e homicida”. “Os policiais chegaram a manter o presbítero Jair Alves como refém, sob a mira de um revólver, enquanto os outros reviraram todo o templo”, destacou.

“Eles chegaram a quebrar e arrombar portas aos chutes, além de bradar durante toda a operação de que ‘o vosso pastor é um traficante perigoso do Rio de Janeiro e está foragido há quatro anos’, o que chamou a atenção de dezenas de pessoas curiosas”, completou o religioso.

Ainda de acordo com o depoimento, na evangélica Jocelma Cenise Cristina de Queiroz tentou comunicar o fato, através de celular, às lideranças da Igreja, mas foi impedida pelos homens.

Segundo as vítimas, os agentes chegaram a furar quatro pneus de um veículo estacionado em frente à Igreja sob a alegação de que isso evitaria a fuga do “pastor traficante”.

Depois de toda a confusão, um dos policiais chegou a reconhecer que o bandido não era o pastor da Igreja, mas podia ser um membro da igreja chamado Marcos e conhecido por Guari.

“Eles estavam totalmente enganados, afinal, confundiram Dari com Guarí e como perceberam o grave erro cometido saíram do local sem levar ninguém preso. Por isso, o pastor Dari registrou Boletim de Ocorrência contra o delegado Wagner de Paiva Gusmão Dorta, pois tomou conhecimento de que tudo o que aconteceu em Queimadas se registrou sob a orientação do policial, lotado na Polícia Civil de Campina Grande”, informou o pastor Pacheco.

Para o reverendo, “a Polícia Civil tem uma larga folha de serviços prestados à sociedade paraibana, devendo aquela instituição coibir tão grave abuso à cidadania de um homem honrado como o pastor Dari Ferreira”.

Ele se referiu à questão ainda como um “dramático e deprimente episódio” e um “verdadeiro atentado contra a história honrada da Igreja Assembléia de Deus”.

Delegado repudia nota contra ação da polícia em Queimadas

O delegado da polícia civil Wagner Paiva de Gusmão Dorta encaminhou ao Paraíba.com.br uma nota na qual comenta o episódio ocorrido em Queimadas e que resultou no protesto público de integrantes da Igreja Assembléia de Deus. Os religiosos alegaram que um pastor teria sido confundido com um bandido durante uma “ação arbitrária” da polícia civil naquela cidade.

O delegado, contudo, argumenta que a busca pelo bandido se deu com base em um mandado expedido pela Justiça e diz ter sido estranha a negativa da Igreja em autorizar a entrada dos policiais no templo.

Confira a íntegra do texto:

NOTA DE REPÚDIO
(Relativa à nota publicada pelo representante da Igreja Assembléia de Deus na Paraíba contra a Polícia Civil paraibana)

Sou delegado de Polícia Civil lotado na D.R.F./CG/PB(Delegacia de Roubos e Furtos), e no dia 25 de abril de 2008 fui designado pela Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social para comandar uma operação policial com o escopo de prender um dos pilares da Facção Criminosa COMANDO VERMELHO (C.V): o traficante MARCOS CÉSAR SANTOS COSTA, VULGO “CESINHA”, que estava utilizando a cidade Paraibana de Queimadas como esconderijo.

Na tarde do mesmo dia, recebi 03(três) policiais da D.R.A.E/RJ(Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos) da cidade do Rio de Janeiro-RJ, que desembarcaram na Rainha da Borborema com o mandado de prisão do traficante “Cesinha”.

Após anos de investigação, da polícia carioca, descobriu-se que a zona Rural de Queimadas-PB era o abrigo do traficante Cesinha.
No sábado, 26/04/2008, último dia da operação, logo pela manhã, aproximadamente 09:00 horas, a equipe comandada por mim se dirigiu a Queimadas-PB e lá chegando começou a fazer campanas com o desiderato de visualizar o traficante “Cesinha” e ato contínuo prendê-lo.

As 13:00 horas do dia 26/04/2008, próximo ao centro da cidade de Queimadas-PB, “Cesinha” foi visto no interior de um veículo Pálio preto, em movimento, em companhia de sua esposa e duas filhas menores.

Rapidamente, “Cesinha”, ao notar a campana policial, estacionou o veículo em frente a Igreja Evangélica Assembléia de Deus e adentrou a casa vizinha, que pertence a prima de sua companheira.

Rapidamente determinei o cerco da área. Após vários minutos, LEGITIMAMENTE, porquanto lastreado em MANDADO DE PRISÃO, foi dada a ordem de invadir a casa na qual “Cesinha” se encontrava.

Por tratar-se de uma região de casas conjugadas, a vizinhança que já estava em alerta, informou-nos que “Cesinha” tinha pulado o muro da igreja e estava escondido naquele local( PÚBLICO).

Ato contínuo, adentramos, também LEGITIMAMENTE, PORQUANTO AMPARADO PELO ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL, a igreja Assembléia de Deus.

Após buscas internas, vislumbramos que o traficante “Marcos César Santos Costa, Vulgo “Cesinha”, tinha fugido pelo telhado de uma das casas conjugadas a Igreja Assembléia de Deus.

A Polícia Civil Paraibana em conjunto com a PC/RJ trabalharam exaustivamente com o intuito de prender o traficante carioca, no entanto, o acaso, o caso fortuito, fez com que o mesmo escapasse.

Em relação a atuação policial na cidade de Queimadas-PB, nos dia 25/26 de Abril/2008, o lastro foi a legalidade, tendo em vista que as incursões na igreja e na casa/esconderijo se deram DURANTE A LUZ DO DIA e amparados por um MANDADO DE PRISÃO expedido pela Justiça do Rio de Janeiro-PB. Portanto, a Polícia Civil agiu, na operação policial, com supedâneo nos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade.

Antes de adentrarmos à Igreja Assembléia de Deus, COM UM MANDADO DE PRISÃO EM MÃOS E DURANTE A LUZ DO DIA, PEDIMOS AUTORIZAÇÃO AO RESPONSÁVEL PELO PRÉDIO, no entanto, este não queria permitir que o trabalho da polícia fosse realizado. DEIXANDO CLARO QUE NÃO ESTAVA OCORRENDO CULTO.

Só após a negativa, é que dei a ordem para entrar na igreja, tendo em vista que possuíamos 01(UM) MANDADO DE PRISÃO em mãos. RESSALTANDO QUE EM MOMENTO ALGUM FOI APONTADA ARMA PARA ALGUM MEMBRO DA IGREJA, POIS O OBJETIVO ERA PRENDER O TRAFICANTE CESINHA, QUE TINHA PULADO O MURO DA CASA VIZINHA E ESTAVA ESCONDIDO NA IGREJA.

Se a polícia um dia comparecer a porta de qualquer cidadão, informando que um perigoso traficante pulou o muro da casa vizinha e está escondido em seu quintal, de imediato, o NORMAL é se franquear, permitir, que as autoridades entrem na residência para revistar, levando-se em conta que a segurança do cidadão e de sua família será preservada. Muito estranha foi a atitude do responsável pelo templo, que não queria permitir a entrada da polícia apenas para checar o local, mesmo tendo a Polícia Civil, naquele momento, um MANDADO DE PRISÃO em mãos.

Campina Grande-PB, 03 de Maio de 2008.

WAGNER PAIVA DE GUSMÃO DORTA

DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL

Fonte: Paraíba Online