A Cúria Metropolitana da capital, órgão administrativo da Arquidiocese de Olinda e Recife, deu início, na segunda-feira, 7, a uma investigação interna sobre as denúncias contra o padre de Itamaracá e Itapissuma, Rômolo Avagliano Rodrigues, 50 anos, acusado de corrupção de menores e atentado violento ao pudor.

Os advogados da Cúria vão ouvir o padre e os paroquianos para apurar se as denúncias feitas na 8ª Seccional da Polícia Civil são procedentes.

De acordo com Dulce Maciel, da Pastoral da Comunicação da Cúria Metropolitana, na última sexta-feira, quando foi divulgada a informação sobre o inquérito contra o padre, ficou decidido que era necessário apurar as denúncias. Ontem pela manhã, os advogados da Cúria e os vigários-gerais do órgão se reuniram. “Não temos a informação se a reunião tratou desse caso em específico. O que podemos informar é que as denúncias serão investigadas”, afirmou Dulce. A Cúria Metropolitana não determinou o afastamento do padre durante as investigações.

Ainda ontem pela manhã, a gerente de Polícia da Criança e do Adolescente, Inalva Regina, recebeu o inquérito instaurado em 19 de março pelo delegado Aníbal Moura. Apesar de existirem nos autos relatos de crimes contra adolescentes, a delegada necessita que o responsável direto pelos menores preste queixa contra o padre para que seja instaurada uma investigação na GPCA.

“A lei diz que em caso de crime sexual contra uma criança e adolescente, o responsável pela vítima precisa representar contra o acusado. Se o abuso ocorreu quando a pessoa era menor de idade e, ela ao completar 18 anos deseja prestar queixa, isso só pode ser feito até seis meses após a vítima ter atingido a maioridade”, explicou Inalva Regina.

A gerente da GPCA informou, ainda, que vai pedir dilação de prazo ao Ministério Público para poder tentar localizar alguma suposta vítima do padre. “Vou solicitar à Promotoria da Infância e da Juventude uma extensão do prazo do primeiro inquérito por mais 30 dias, para poder averiguar se existem vítimas menores de idade”, concluiu a delegada.

O inquérito instaurado na 8ª Seccional da Polícia Civil tem dez depoimentos. Dois ex-coroinhas e um ex-funcionário da paróquia de Itapissuma acusaram o padre de corrupção de menores e atentado violento ao pudor.

No último domingo, fiéis das paróquias de Itapissuma e de Itamaracá fizeram um protesto em favor do padre Rômolo. Na semana passada, o religioso foi procurado, mas não quis comentar as acusações. Ele limitou-se a dizer que o inquérito contra ele era fruto de politicagem, tendo em vista que o delegado Aníbal Moura é candidato à Prefeitura de Itapissuma, nas próximas eleições.

Fonte: JC Online